Monday, July 05, 2010


As palavras apenas acontecem, como os fatos, como os acasos que não esperamos e como a esperança que de repente toma folêgo de um pobre desacreditado dianta da desgraça urbana. Eu vivo inteiramente mergulhada em mim, um dia desses gostaria de sair nadar além dos meus próprios oceanos, conhecer os corais vizinhos é algo estranhamente tentador, porém não os possuo que diferença fará. O domínio é como uma máquina escavadeira que vai desmoronando montes e montes de terra sem parar, ele se alastra rapidamente como a chama do fogo em noites de vento. E de repente se dissipa por entre a atmosfera formando uma camada marrom, epoeirada que encobre a beleza do verde macio que brota no chão. Eu sinto que não preciso formular perguntas as quais premedito as respostas, adivinho o jogo instantâneo de não fazer comparecer as palavras no alfabeto das emoções. Afinal, elas também se dissipam, se somam a poeira, ao vento, somem por entre os veios da terra e desaparecem sem que se perceba para onde foram. Eu queria ter o domínio além das palavras, queria fazer com que elas ecoassem mais do que meros significados, e sim que elas inundassem as pessoas de sensações, como um gole etílico que desce queimando na garganta. Eu gosto de bossa, também gosto de contradição. Esta estação é propícia para contradizer-me das loucuras antes consideradas insanas e me deparar com a mais pura razão. Não há o que temer quando não se tem medo, e não há medo se não haver o que temer, eu temo por não ter o domínio nem das palavras, nem de mim, muito menos dos sentimentos que elas podem evocar assim, tão indelevelmente. Se um dia eu pudesse me dissociar de mim, eu me separaria dos meus eus para ficar um pouco sozinha. Depois reataria com elas para sair a noite e brincar em algum lugar debaixo das estrelas. Eu gosto de fazer coisas proibidas, elas me incitam a ir além do que o pudor pode considerar um limite territorial. Não tendo fronteiras, somos como correntezas em mar aberto, fluindo desassossegadamente. Um clipe instantâneo de um extraordinariamente fantástico, com todo o charme que envolve um filme, quase real, que logo ultrapassa a linha dos 3 minutos e meio e torna a rodar as imagens do cotidiano. Quando as pessoas sentem prazer é mais ou menos assim. Elas fluem sumindo de si, desapegando-se do próprio corpo, sumindo em um suspiro grave ou suave, que oscila sem parar até o momento que se cala. Quando isso acontece, tudo volta ao normal, os pensamentos não estão mais tão longe... Literalmente seu corpo volta ao estado normal, e é tomado por uma vergonha de ter ido tão longe, ter nadado nos corais do vizinho. Que bobabem, deveriamos ser a favor do trânsito entre estes oceanos sem nenhum pedágio. Mas humanos, são humanos, justamente porque possuem carências, porque são uma carne mole e sem muita dureza, maleáveis de acordo com as circunstâncias e versáteis como as estações.
Just stop to think about it...thoughts

Life is such a challenge
Live it day by day
You never know what's gonna happen
A what might come your way
Just stop and think about it
There is nothing we can do
They can't live without us and
We can't live without them too

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