Saturday, May 08, 2010


Dark and cold room



Mãos gélidas, tateam a chave de luz no escuro. A moldura da janela de vidro ao fundo deixa que o vento invada a sala sacudindo os tecidos finos da cortina. Em uma pequena mesa de centro repousam um cinzeiro e uma garrafa de whiskey escocês pela metade. A televisão está ligada, uma programação colorida projeta alguns flashes de luz no ambiente, pálido, escuro, e frio. Alguém chega em casa e tateia a chave de luz na parede procurando seu interruptor. As lâmpadas não se ascendem, naquela noite, a luz faz falta. Mãos, pernas, corpo gelado, pois nas ruas as baixas temperaturas ditam o movimento. É hora de se recolher, porém não existe para onde ir. A solidão está desmoronando as paredes com mofos e boloros para todos os lados. As pessoas se fazem presentes a todo instante com suas belas faces sorridentes e corações sem mínimas intenções ou projetos de sentimentos. Estão todos girando em uma órbita fria, onde as cores do inverno lideram um espetáculo azul. Azul, negro, cinza são as roupas dos seres metálicos que expressam suas emoções sintéticas em síntese. A multidão dança enquanto os bits e bites elevam sua adrenalina motivada pela pílula da felicidade, a bala da vez, sem cor, que lentamente vai projetando sonhos vagos no ar e dissipando-os a medida que o efeito do prazer a curto prazo vai embora...

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