Monday, July 05, 2010


As palavras apenas acontecem, como os fatos, como os acasos que não esperamos e como a esperança que de repente toma folêgo de um pobre desacreditado dianta da desgraça urbana. Eu vivo inteiramente mergulhada em mim, um dia desses gostaria de sair nadar além dos meus próprios oceanos, conhecer os corais vizinhos é algo estranhamente tentador, porém não os possuo que diferença fará. O domínio é como uma máquina escavadeira que vai desmoronando montes e montes de terra sem parar, ele se alastra rapidamente como a chama do fogo em noites de vento. E de repente se dissipa por entre a atmosfera formando uma camada marrom, epoeirada que encobre a beleza do verde macio que brota no chão. Eu sinto que não preciso formular perguntas as quais premedito as respostas, adivinho o jogo instantâneo de não fazer comparecer as palavras no alfabeto das emoções. Afinal, elas também se dissipam, se somam a poeira, ao vento, somem por entre os veios da terra e desaparecem sem que se perceba para onde foram. Eu queria ter o domínio além das palavras, queria fazer com que elas ecoassem mais do que meros significados, e sim que elas inundassem as pessoas de sensações, como um gole etílico que desce queimando na garganta. Eu gosto de bossa, também gosto de contradição. Esta estação é propícia para contradizer-me das loucuras antes consideradas insanas e me deparar com a mais pura razão. Não há o que temer quando não se tem medo, e não há medo se não haver o que temer, eu temo por não ter o domínio nem das palavras, nem de mim, muito menos dos sentimentos que elas podem evocar assim, tão indelevelmente. Se um dia eu pudesse me dissociar de mim, eu me separaria dos meus eus para ficar um pouco sozinha. Depois reataria com elas para sair a noite e brincar em algum lugar debaixo das estrelas. Eu gosto de fazer coisas proibidas, elas me incitam a ir além do que o pudor pode considerar um limite territorial. Não tendo fronteiras, somos como correntezas em mar aberto, fluindo desassossegadamente. Um clipe instantâneo de um extraordinariamente fantástico, com todo o charme que envolve um filme, quase real, que logo ultrapassa a linha dos 3 minutos e meio e torna a rodar as imagens do cotidiano. Quando as pessoas sentem prazer é mais ou menos assim. Elas fluem sumindo de si, desapegando-se do próprio corpo, sumindo em um suspiro grave ou suave, que oscila sem parar até o momento que se cala. Quando isso acontece, tudo volta ao normal, os pensamentos não estão mais tão longe... Literalmente seu corpo volta ao estado normal, e é tomado por uma vergonha de ter ido tão longe, ter nadado nos corais do vizinho. Que bobabem, deveriamos ser a favor do trânsito entre estes oceanos sem nenhum pedágio. Mas humanos, são humanos, justamente porque possuem carências, porque são uma carne mole e sem muita dureza, maleáveis de acordo com as circunstâncias e versáteis como as estações.
Just stop to think about it...thoughts

Life is such a challenge
Live it day by day
You never know what's gonna happen
A what might come your way
Just stop and think about it
There is nothing we can do
They can't live without us and
We can't live without them too

Sunday, June 27, 2010


Não sei escrever quanto estou alegre. Parecem que as palavras não fluem como das outras vezes, quando me sinto levemente melancólica. Seria um momento ideal para escrever uma carta, um poema, uma canção, ou apenas uma frase. Recolheria algumas palavras espalhadas por aí, tentaria juntá-las e de repente sairia algo como: Não tenho nada a declarar. É isso mesmo,dificilmente me sinto satisfeita com as coisas, pois geralmente elas não preenchem a necessidade do "quero mais", porém acredito que até seja bom, registrar um momento em que me encontro estranhamente em paz. Agora percebo que minha paz ocorre a curtos prazos, porque vivo girando em tantas órbitas, que o sossego passa longe de mim. Quando é quente, me sinto extasiada mas ao mesmo tempo sinto saudade do frio, quando as temperaturas caem, é interessante, se cobrir do frio, assistir a um filme ou mesmo fumar um cigarro sob a bruma da noite gelada, mas dessa forma me sinto despida de cores, então prefiro o verão. Quando ambas estações não me satisfazem vislumbro a primavera, suas flores e clima sutil....

Thursday, June 03, 2010




A inversão dos pólos...


As mulheres desde a Grécia antiga são cultuadas como Deusas capazes de gerar vida, carregarem dentro de si uma criatura. Frágeis, submissas, sensíveis, mães, meninas, crianças. Desde que o mundo é mundo o universo masculino é povoado por diversos estereótipos femininos, muitos deles subjulgando a capacidade das mulheres serem algo além de um objeto sexual. A liberação dos pólos, como se pode ver não aconteceu apenas na comunicação do século XXI, mas também na forma como estes esteríotipos paradoxalmente ganharam força através da sociedade do espetáculo. Ao tempo que as mulheres reiventaram seu papel na sociedade, povoaram os tantos espaços masculinos levando toda sua ousadia e determinação, e muitas vezes se sobressaindo muito mais do que os homens em suas atividades, houve uma perda significativa de referêncial. Afinal, qual é o esteriótipo da mulher moderna? O motivo pelo qual eu venho a escrever é a carência. Não sei se este é um mal que aflinge tanto os homens quanto as mulheres, mas percebo que especialmente elas sofrem dessa constante avassaladora. Refletir sobre este dado me faz pensar que nós mulheres evoluímos em alguns aspectos enquanto outros permaneceram intocados. O que nos faz crescer é a experiência, é ela que dita o modo como vamos nos portar no futuro, ou como percebemos o mundo no presente, e estranhamente as mulheres ao tempo que avançaram no que diz respeito aos direitos iguais com os homens, suas conquistas e suas vitórias parecem enterrar cada vez mais a hipótese de haver uma mulher verdadeiramente forte. A relação paradoxal de ser inteligente, boa profissional e ao mesmo tempo ser gostosa, ter um par de peitos desejosos, uma bunda durinha e coxas em que se possam debruçar os braços em deleite só pode ser mais uma das ilusões pós-modernas. Surge a mulher fruta, a mulher comestível a mulher que envergonha aquelas que tentam criar uma imagem equilibrada de sexo frágil nem tão frágil assim para acabar com os mitos e comprovar que as mulheres não são seres super poderosos que se comparem com a versatilidade com que os homens vestem a roupa das relações. Há poucos dias captei um diálogo no banheiro de uma festa, as mulheres reclamavam que seus parceiros não davam atenção que as traiam, mas que isso seria resolvido pois já já, "ele" ganharia um par de cornos. Fiquei pensando, realmente essa perda de referêncial de não saber quem mais se é, nem se impor nem transitar está mais do que evidente no comportamento das mulheres. Elas querem autoafirmar uma aura masculina que não lhes é própria, como se estivessem competindo com os homens em uma corrida de kart, para ver quem chega primeiro, ou no caso, quem arruma o maior numero de parceiros para dizer, olha este aqui é melhor, esta aqui é mais interessante. Na verdade, isso nada mais é do que uma sintomática de carência afetiva. As mulheres ao tomarem essa atitude abrem uma fenda gigante no coração, agora ao invés de sofrer pelos parceiros, elas sofrem por elas mesmas, se infligem a cruz de ficar com outros para "dar na cara", porque a descartabilidade também é uma constante. E o coração vai ficando mais vazio, e as experiências mais frias, e o alvo não se sabe mais qual é, nem para que lado vão as setas.
Eu sinceramente nem nos meus piores sonhos me imaginei tomando esta posição de atacante de jogo de futebol, e ao mesmo tempo só posso conceber nos meus melhores sonhos que as relações ao invés de se tornarem mais superficiais fiquem mais espessas. Talvez seja por isso, que o interesse é algo que se esvai a cada constatação. Nesse jogo, ambos os lados estão errados. E quanto mais tentam se auto afirmar mais ficam longe de seu objetivo, se é que ele ainda existe...
Se a diferença que antes fazia com que justamente os pólos se atraissem deixar de existir, serão menos com menos e mais com mais impossibilitando qualquer reação, ou como queiram, relação.


"Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada."

Sunday, May 30, 2010



Another flashback: AN OLD ON THE ROAD

Certa vez, enquanto a chuva entrecortava minha volta aquele lugar, percebendo aos poucos que meus pés foram longe andando por aquelas ruas de areia da cidade de interior, onde ainda os cavalos andavam sob suas pedras mal colocadas, e o sol se punha no fim do horizonte em um adeus alaranjado. Cheguei ainda noite, as luzes dos postes ofuscadas por uma pequena névoa a sua volta, um posto antigo iluminado e caminhões gigantes parados ali. Seria uma noite interminável. Havia pessoas trabalhando, um restaurante funcionando e um hotel de beira de estrada. Pouco dinheiro no bolso,uma mochila nas costas e vontade era tudo que tinha naquele momento. Resolveria simplesmente e de uma vez só meus problemas atuais. Esperei a chegada da manhã, e rumei para a rodoviária que ficava ao lado do posto. Por lá algumas horas esperei, naquele tempo estranho das primeiras horas da manhã onde o sol ainda não esquentou a terra que continua molhada de orvalho. Sentada, com uma trilha sonora nos ouvidos, um livro com poucas páginas lidas esperei a hora do ônibus chegar. Aquele lugar era tão longe, tão distante, tão incrustado no meio do nada que só na metade da manhã alcancei meu objetivo. Não me recordo ao certo onde desembarquei, a sensação era extremamente intensa, fiz um pensamento se concretizar em questão de 48 horas. Estava tudo acontecendo como o planejado, e tudo fluiu exatamente como esquematizei.Desde de minha partida até finalmente a chegada, acolhida na casa de uma pessoa amiga, tomei um banho revigorante e rumei para o fim da jornada. Era meio dia, entrei no restaurante e sentei dando as costas para a porta, passaram-se alguns minutos e a pessoa a quem eu estava à espera entrou pela porta, sem perceber minha presença sentou-se longe da mesa em que me encontrava e pos-se a degustar sua refeição. Me levantei e dirigi-me ao lugar, era uma mesa de canto, o sol cintilava através de uma janela de madeira antiga e suja, seus raios refletiam, sobre a mesa o prato de comida posto e uma coca-cola borbulhando ao seu lado foram suficientes para presenciar o momento mais "breathtaking" de todos. A face que me encarava simplesmente paralisada não sabia reagir, perdeu a expressão empalideceu, recompondo-se fez os olhos claros e incrédulos brilharem mais do que qualquer coisa, aqueles olhos eram lapidados, como se fossem rasgados por um instrumento de entalhar madeira em formas perfeitas e proporcionais, feições intensas que se vestiam de todas as fantasias possíveis, para expressar suas versões de eu...

HERE I AM

Estou diante de mim mesma em um daqueles momentos em que tudo que se busca é estar sozinha, porém a minha consciência insiste em me fazer companhia, novamente. Sinto que preciso tomar uma atitude para mudar a configuração do plano de fundo dos meus dias. Abro as páginas de um livro mas não consigo me deter as primeiras linhas, sem nem mesmo sair do prefácio fecho a brochura e volto o olhar, desta vez, para dentro de mim. É necessário esmiuçar cada compartimento do eu em busca de uma resposta para a minha inquietação neste momento. Vivo o presente encravado na rotina diária de portas abertas para as preocupações cotidianas e aparentemente alheia a outra perspectiva. Quando mergulhamos em uma sucessão de atividades ininterruptas que acabam por virem a se tornar hábitos e percebemos que estamos carentes de algo que se chama surpresa, um sopro súbito paira sobre a atmosfera dos dias abrindo caminho para que os infinitos possam se revelar em frente a nossa consciência tocando solos sinuosos com nervuras que contém dúvidas profundas ou apenas perguntas sobre alguma coisa qualquer.
Tenho absoluta certeza que o mundo se move a partir das dúvidas, das incoerências, do acaso, do inesperado, dos momentos de tensão que culminam em dias de paz, enquanto as coisas dentro de mim ao que tudo indica, se organizam da mesma forma. Porém, sinto que não se trata de dúvida o motivo da minha carência atual, não são as incertezas ou os questionamentos que me deixam com os ponteiros estranhamente acelerados, mas pelo contrário, o ritmo em que se move o meu cronograma habitual de vida. Algumas palavras perderam o sentido, falta-me descobrir aquelas que jamais ouvi o significado, expandir a consciência em direção a um universo desconhecido e encontrar-me só, como no começo, diante de mim mesma só que desta vez, longe dos hábitos que me fazem estar presa, cerrada em determinado tempo, pensamento ou lugar. Preciso descobrir novos mundos sem que eu necessite de um meio de transporte para tal, tocar novas superfícies sem necessariamente penetrá-las através de um click do mouse. Sentir novos cheiros sem que minha percepção esteja viciada em um aroma só. Neste momento posso perceber que a ruptura que eu previa pode ter acontecido sem que eu percebesse, e parte de mim tivesse seguido o fluxo normal dos dias enquanto a outra ficou na plataforma esperando pelo trem em movimento.
A confusão é uma matéria prima para a ordem, ou para o caos, depende do ponto de vista. Aparentemente estou em ordem mas o que sinto é uma sensação distante do vértice, com os pés longe do chão tocando superfícies no ar, dando cambalhotas no vazio. Em uma órbita rotativa normal, sem grandes surpresas, e ao mesmo tempo em um brinquedo que gira sem parar, tão rapidamente que não me permito enxergar o que se passa a minha volta. Estímulos, sinto que ao recebê-los me convenço que estou naqueles dias em que me faltam mantimentos para preencher a dispensa da alma. Bons livros, música nova, cores vibrantes, novidades... Sinto o coração batendo forte e talvez seja por isso que meus olhos estalam para receber um tempo de mudança, como um papel colorido que comporta um presente que já sei qual é. Não temo os segredos, os guardo em caixinhas pequenas e depois compartilho em forma de poção. Remédios que vêm injetar ânimo nas situações.
Temo que as pessoas normais, se é que elas existem, não costumam sentir-se tão perdidas porque estão mergulhadas em um grau abissal tão profundo que a mecanicidade que orienta os dias os impede de pensar, sentir ou identificar que uma mudança se faz necessária. Este é o tipo de movimento que paradoxalmente está próximo da inércia e que muitas vezes passa desapercebido. É tudo muito rápido, são flashes que se tornam imagens e se reproduzem em uma cadeia de compartilhamento em segundos, são mensagens incorporadas a um momento do dia que perdem o sentido rapidamente ao se depositarem na lixeira da nossa memória, são contatos superficiais que acenam pulverizando sorrisos na superfície que se dissipam em instantes... Disso tudo fica a certeza de que a pele e o tato podem ser uma forma de se ambientar ao toque novamente ao seu habitat sensorial que talvez tenha perdido seu caráter sensível, e de que talvez, ao fim das jornadas pelos caminhos já conhecidos dos dias eu perceba que ainda sou feita de matéria que pulsa, chora, ri, percebe e sente tudo ao seu redor, o universo nem tão distante que se descortina enquanto milhares de olhos permanecem vendados e outras tantas mãos estão acorrentadas a uma lacuna pessoal que jamais será preenchida.
Não questionarei mais a minha existência e o porque das coisas, das minhas ações geridas pelas minhas vontades ou por simples ambições se não mais provar dos aromas mais exóticos que a profusão de especiarias que continuam navegando ainda nesta era, em formas sutis de trocas e inspirações, insuflando o paladar de desejos ainda mais peculiares e únicos e o coração de um ritmo a cada dia mais acelerado do que o normal deixarem de existir, se esconderem para todo sempre e não abarcarem repentinamente na minha praia deserta com paredes de vidro e peixes de plástico colorindo a paisagem morta de uma tonalidade especial.

Sunday, May 16, 2010


Campos verdes onde as almas deleitam-se, abrigo para os desesperados sonhadores que deixaram de semear a terra, sofreram e pagaram seus pecados diante de um ato de culpa em auto punição, agora sob o horizonte azul refugiam-se recostando cada membro sobre a leiva fina e macia. O vento bate em seus ombros encorajando as almas em um afago de esperança.

I´m sitting here, beside my own body that was completely exausted of everyday life. I would like to paint a new day in the mirror, to see that future was coming to pick me up and take me high. Far away the south towns, when the sunlight is covered by the shadow of the buildings and people steps are quickly, running to discover a brave new world, where the dreams are made of real things, and the concrete doesn´t mean a jungle.


Durante a noite que aparentemente parece não ter fim, eles são chamados pelas luzes coloridas dos refletores que piscam sem parar, introjetando na íris um desejo velado que constrói necessidades supérfulas imersas em prazeres impuros. Aos olhos dos apocalípticos navegamos sem norte enquanto os fios invisíveis da ubíquidade nos recobrem de sensações diversas. Aos olhos dos otimistas vivemos em uma era em que a medida que nos movemos com uma velocidade cada vez mais rápida, e nos envolvemos em pequenos fragmentos de vida que acabam por contar a nossa história, variamos como a previsão do tempo equilibrados sobre a corda bamba da instabilidade. Tudo pode mudar, fracionar o tempo parece uma batalha diária...

Saturday, May 08, 2010


Dark and cold room



Mãos gélidas, tateam a chave de luz no escuro. A moldura da janela de vidro ao fundo deixa que o vento invada a sala sacudindo os tecidos finos da cortina. Em uma pequena mesa de centro repousam um cinzeiro e uma garrafa de whiskey escocês pela metade. A televisão está ligada, uma programação colorida projeta alguns flashes de luz no ambiente, pálido, escuro, e frio. Alguém chega em casa e tateia a chave de luz na parede procurando seu interruptor. As lâmpadas não se ascendem, naquela noite, a luz faz falta. Mãos, pernas, corpo gelado, pois nas ruas as baixas temperaturas ditam o movimento. É hora de se recolher, porém não existe para onde ir. A solidão está desmoronando as paredes com mofos e boloros para todos os lados. As pessoas se fazem presentes a todo instante com suas belas faces sorridentes e corações sem mínimas intenções ou projetos de sentimentos. Estão todos girando em uma órbita fria, onde as cores do inverno lideram um espetáculo azul. Azul, negro, cinza são as roupas dos seres metálicos que expressam suas emoções sintéticas em síntese. A multidão dança enquanto os bits e bites elevam sua adrenalina motivada pela pílula da felicidade, a bala da vez, sem cor, que lentamente vai projetando sonhos vagos no ar e dissipando-os a medida que o efeito do prazer a curto prazo vai embora...

Wednesday, April 21, 2010


Ashes and Wine.

Cada gota da chuva escorrendo no vidro, lentamente caindo sob a paisagem nebulosa exterior. A temperatura diferentemente de ontem gela as mãos. Ansiei este momento. Então, como em um filme chamado dejavú, me vejo admirando o céu negro, frio e estrelado. Às vezes é preciso sentir a presença de si mesmo para perceber que o isolamente é a melhor forma de reconhecer o discurso quem vem de dentro. Muitas imagens, muitos sons, palavras, narrativas, conversas por vezes desviam a atenção. A loucura mecânica do dia a dia é compatível com a sensação do momento em que me encontro. Tentando descrevê-lo arriscaria falar que é como comer um doce salgado, sentir algo leve pesado, perceber estranhamente que as coisas estão fora e ao mesmo tempo no lugar. Sentir-se melancólico e não triste, confortável em um caos, gostar e desgostar...

A secret Place

Imagine uma rua onde pessoas circulam frenéticamente, luzes, cores, cheiros se misturam ao burburinho do lugar. Há um movimento intenso no ir e vir dos passos apressados na calçada, enquanto as luzes dos postes iluminam o caminho e as vitrines acrescentam um charme a mais ao lugar. Pequenas redômas de vidro que fabricam sonhos de consumo, há diamantes brilhando dentro delas. Logo a multidão passante se dispersa e resta o cenário vazio. Perambulam pelos corredores estreitos das calçadas antes abrigadas por passos vindos de todos os lugares, gatos, cachorros à procura de comida e almas desconsoladas que perderam o caminho para casa em busca de diversão e satisfação momentânea nos poucos bares ainda abertos. É possível avistar uma escada, me parece que este mesmo cenário já fora concebido outras vezes, já o devo tê-lo imaginado. Há uma música ao fundo, mulheres dançam e se despem por dinheiro, enquanto sapatos lustrosos encostam-se na plataforma que as abriga sob luzes estroboscópicas e flashes verdes. Fumaça se mistura ao aroma etílico destilado no ambiente, poderia acontecer uma cena de sexo explícito ali naquele momento. Mas os falsos púdicos se escondem atrás de cortinas prateadas, onde os prazeres falam mais que a própria razão violando aos poucos os limites da condição individual e humana que o livre arbítrio os legou.

Há um fetiche em imaginar os lugares perniciosos, onde qualquer libertinagem é mera questão de gosto. Não é a primeira vez nem a última que o faço. Talvez seja uma forma de descrever o quanto estamos presos a estereótipos pré concebidos dentro de uma escala comum de papéis, que mesmo que nos achemos livres o suficiente para ser e imaginar o que quisermos, ainda assim não o fazemos. Nos auto censuramos. Levo este exemplo ao extremo para tentar compreender porque muitas vezes as coisas que dependem única e somente de nós muitas vezes não saem como gostaríamos porque simplesmente não o fazemos, deixamos passar.Temos vontades, motivações que parecem assombrações surreais, que nos assustam quando invadem nossos pensamentos em uma tarde chuvosa por exemplo. Começo a reconhecer que as únicas pessoas que se permitiram realmente exprimir sua loucura nua e crua, talvez bons escritores, artistas, inventores, no fundo, estavam apenas criando uma maneira de entender a si mesmo, que no fim das contas, acabaram por criar uma terapia coletiva que compreende um punhado de gente. Então isso acontece porque somos iguais? Não, obviamente. Mas temos as mesmas fraquezas, medos parecidos, inclusive este de violar a conduta que nos impomos, ou que alguém nos impõe. Longe de mim querer violar algo, se violássemos mais nossas mentes perceberíamos talvez que há uma caixa de segredos, a esta sim, eu sou totalmente a favor. È como reconhecer em um terreno onde só se vê grama, coisas guardadas entre as raízes mais profundas da terra. Algo me inspirou intensamente no dia de hoje, sinto isso, vivo isso, e respeito minha intensa vontade de externar em palavras.


Flash, Back, Again

Yahn Tiersen é um pianista francês incrível. Sua loucura não ultrapassa a trilha sonora de Amélie Poulain ou sua performance no piano. Porém ao tempo que invade meus ouvidos de uma melodia que embala o que tento descrever, complementa minhas palavras nas entre linhas que o discurso sonoro se permite preencher. Há um quê de mistério, drama, romance, intensidade, e extremismo em cada nota que pesa nas teclas do piano. Eu ousaria dizer que ele traduz o sentimento que é andar pelas ruas de Paris. Há um clima extremamente sentimental, e apaixonante no ar. É de senso comum ouvirmos comentários a respeito da magnitude que o simbolismo da cidade possui, porém na verdade, o que inquieta é realmente a curiosidade, tentar adivinhar o que há por trás dos rostos que se transfiguram na agitação das ruas. O que esconde cada alma. Talvez eles contemplem o belo, contemplem mais a arte do que qualquer outra paisagem no mundo, transpirem e a refletem em todos os cantos da cidade. Vivem não o amor, mas o sentimento à flor da pele, a intensidade apaixonante que é viver cada instante quando se está verdadeiramente inspirado para isso. A arte não é o ópio do povo, como na grécia antiga, somente as divindades a ousavam contemplar. A arte é o ópio da vida, da individualidade, da identidade única e não do senso comum.

Thursday, April 15, 2010


A hora do Adeus!

PARTE I
O relato de uma história de amor, apaixonante.

Depois de quatro anos, perambular pelos corredores da faculdade já não é mais a mesma coisa. Se for mesmo pra contabilizar os anos, acredito que já se passaram uns cinco. Lembro nitidamente do primeiro dia em que pus o pé direito no prédio da Faculdade de Artes e Comunicação, a tão conhecida FAC.

Era um fim de tarde de outono, principio de inverno, muitas pessoas se aglomeravam em frente ao prédio, um burburinho intenso e as escadas que levam a porta de entrada pareciam intermináveis. Entrei com as canelas tremendo. Tratava-se de uma prova de fogo, o primeiro dia na universidade. Mal sabia eu, que estava entrando em um universo da qual hoje é impossível me dissociar.

A comunicação sempre fora o meu forte. Lembro de ouvir minha mãe falar sobre as minhas incontáveis peripécias quando eu era criança. Nos encontrávamos na praia e eu subitamente sumia de seu campo de visão para ser flagrada minutos depois conversando na barraca do vizinho e muitas vezes mordiscando algum petisco que me ofereciam. Impossível também esquecer do escambo que meu falecido avô me propunha todas as sextas feiras para me incentivar a escrever. Quando chegava o meio dia, era certo que alguma surpresa eu iria encontrar na caixa do correio. Morávamos há algumas quadras de distância mas mesmo assim, a correspondência se fazia valer. Nos correspondíamos através de cartas e a cada uma que eu respondesse ganhava R$ 10,00.
Com o passar do tempo, passei a escrever mais de uma carta por semana, pois obviamente queria obter mais do que o montante proposto. Às vezes, antes mesmo do fim de semana se pronunciar eu já havia escrito e entre a carta em mãos à rua 21 de abril, onde era a casa dos meus avós. Talvez essa iniciativa tenha fortalecido meus laços com a escrita, que inconscientemente se refletiu na minha inscrição para o vestibular em jornalismo. No colégio, trocar cartas continuava sendo um dos passa tempos prediletos.
Do oitavo ao terceiro ano, juntamente com uma amiga, fazíamos uma memória diária de novidades e segredos, era algo muito valioso imerso em um certo fetichismo, porque aquelas cartas falavam da alma, sobre nossos sentimentos, nossos sonhos, medos e ilusões, era algo maravilhoso. Ao fim da escola percebi que aquela montoeira de papéis precisava ser eliminada pois além das muitas histórias elas agora abrigavam ácaros.
Então, um dia, uma tarde mais precisamente, lancei ao fogo todas aquelas memórias e o simbolismo que antes se traduzia em algo supremo através das letras que se desenhavam no papel, se esvaiu nas chamas para todo o sempre. Algumas coisas ainda tenho vivas na memória, não consegui apagar o mundo dos papéis como parte da minha existência mesmo que muitos deles tenham sido queimados até porque ao ingressar na faculdade de jornalismo, ainda com toda a tecnologia disponível, a melhor forma de expressar as idéias é um pedaço de folha qualquer e uma caneta.
Com o tempo, aquele primeiro dia de aula se tornou algo emblemático para explicar como nossa comunicação evolui. A universidade fez com que o meu mundo que até então eu considerava algo imenso e super valorizado se ampliasse de uma maneira que nenhum compasso pode tanger. Aprendi a questionar o mundo, a descobrir através das aulas teóricas, para muitos enfadonhas, o quão intrigante é constatar que meus pensamentos encontram um porto seguro comum com pessoas que distante de mim pensaram, sentiram e viveram o mundo sob a mesma ótica.
Hoje independente dos trabalhos de aula, dos livros propostos pelas disciplinas, da literatura, das notícias da televisão ou das redes sociais minha vontade de viver a comunicação ultrapassa qualquer fronteira. Parece-me que a comunicação social se fundiu a minha personalidade, lapidou o meu eu e fez com que me tornasse alguém melhor, uma profissional. Este papo aos olhos de uns pode parecer careta, mas tenho absoluta certeza que podem me chamar de tudo menos disso.
Escrevo em primeira pessoa, porque sei que muita gente sente assim. Expressar os sentimentos ao mundo não é tarefa difícil, saber contempla-los requer sensibilidade e ser nós mesmos, isso sim, é algo difícil que talvez caminhe junto do aprendizado pois afinal, somos tantos!. Agora, em pleno trabalho de conclusão, discorri a respeito da obtenção do conhecimento, novamente e inconscientemente ligando a tudo que me fez crescer e amadurecer durante estes anos na FAC. Houve algum tempo em que as risadas nos corredores foram preenchidas por momentos de indignação.
Colamos cartazes nas paredes, e com um certo espírito revolucionário auto afirmando nosso poderio jovem frenético, contestador, louco e faquiano way of life conseguimos alcançar nosso objetivo. A comunicação é isso, é deixar transcender aquilo que nós temos vontade de transpor para o mundo real, e que muitas vezes fica guardado dentro de nós. Não dá pra deixar a inspiração ir embora, ela se esvai com o tempo e demora a bater à porta novamente se não soubermos deixá-la destrancada. Começo a achar que vivo porque me comunico, vivo porque inspiro palavras, sons e gestos e os respiro novamente.

Sunday, April 11, 2010


O dia pede para que eu saia correndo daqui e vá abraçá-lo. Uma tarde ensolarada de meia- estação, um calorzinho agradável e o cachorro do vizinho acoando sem parar. Que maravilha. Neste dia tudo que eu queria era uma ilha, bem isolada, com vento, frio, neve talvez... Para que minhas idéias se convertessem em apenas um vértice. Sem precisar voltar o olhar para o movimento lá fora, nem ter os ouvidos invadidos pelo zunido encomodativo dos carros passando sem parar. Nestes dias parece que a alma grita por dentro, ela quer brigar com alguém. Raiva, deve ser esse sentimento, inexplicável que se apossa da gente quando menos se espera. Preciso refletir sobre as mudanças que a pós modernidade trouxe para a sociedade, e principalmente para a comunicação, preciso discorrer sobre cibercultura e finalizar o segundo capítulo da minha monografia, mas parece que nada flui, há uma preguiça corrosiva pairando pelo ar e ainda por cima qualquer coisa é um motivo para desviar a atenção. Eu preciso sair dessa loucura, procurar uma maneira de me interar comigo mesma, numa pronfundidade onde essa claridade não arda nos olhos e não ofusque a pupila. Estou ansiosa pelos dias frios, pela melancolia das tardes de inverno que trazem consigo uma xicara de café ou chá quente e escondem por trás da noite uma lua assustadora e nuvens negras da cor de petróleo.

Friday, April 02, 2010


We are made of us

Eu tenho sorte ao encontrar pessoas. Não acredito muito em destino, predestinação ou algo do gênero. Mas me desperta a curiosidade quando paro para pensar que muitas pessoas que surgem pelo caminho diário, mesmo aquelas que se entrecruzam e vão embora como uma longa estrada sem fim, parecem ter uma antena um ímã que conecta-se ao meu ser, as minhas verdades, as minhas sutis ou indelicadas demonstrações de sentimentos. Acredito na reciprocidade, na sinergia e no poder de atração que os corpos exercem uns com os outros. É algo divido e infernal, insano, por vezes inexplicável pois há aqueles tipos que atraem fatalmente mas desgovernam a direção ao ponto de não haver como conviver. Curiosamente são estes que na maioria das vezes fazem com que a atração se torne um campo minado, uma fogueira em chamas ou um precipício para a prática de queda livre. Escrevi em algum lugar, colocando algum sentido em resumidas palavras: "Neste momento de renovação", que conjugam uma metáfora sobre o cotidiano em que volta e meia novos personagens se entrecruzam em uma trama enlouquecedora que se chama, vida. Se eu fosse interpretar a mim mesma, não conseguiria delimitar em um roteiro o que de fato sou. Porém, se fosse interpretar minha colega de trabalho, meu chefe, minha irmã ou uma freira, saberia exatamente em quais gestos e trejeitos basear meu prólogo. A verdade é que vivemos todos em um sentido de representação, e encarar o ator eu trata-se de uma tarefa praticamente impossível, pois afinal, estamos tratando de uma ópera e nao de uma peça ou apenas de um cenário, de um mundo dividido em infímos eus, de medos, delírios, sonhos, projeções... E neste enredo, invariávelmente nossos alicerces para reconhecer afinal, qual é o papel a seguir, as pessoas, estas figuras que insurgem em meio da nossa pantomima maestral nos ajudam mesmo que por alguns segundos a reconhecer quem está atuando e quem está apenas assistindo.

Sunday, February 21, 2010


ENTRE PAPÉIS E RECORTES...

Avisto um ônibus há alguns metros de distância. De onde ele vêm?
Talvez traga consigo almas sedentas de atenção, talvez traga apenas passageiros ou não traga ninguém. Durante a manhã ensolarada onde o cheiro de madeira eucalipto se espalha pela superfície enquanto borboletas pousam e repousam inquietas sobre os recantos do imenso jardim, ouço o barulho dos pássaros zunindo em sinfônia com as máquinas e as crianças correndo na grama. Estou em movimento, sentindo o sol penetrar na pele, nos poros revitalizando os pulmões cansados de respirar o ar rançoso de uma sala com computadores. Corro e os olhos passam rapidamente fotografando as imagens que avisto nesta manhã agradável de verão. Estou isolada sob a condição da minha existência, um indivíduo a observar os recortes picoteados do universo ao seu redor. Reflito sobre a loucura, de repente ouço alguém me chamar, respondo com um aceno e prontamente esta pessoa vem até mim. Traz uma história consigo, dentro da insanidade existe um espaço para a loucura do mundo real. Ouço, respondo, penso, falo, rio. Quem vem até mim é uma adolescente, provavelmente deve ter lá seus 13, 14 anos, em vésperas de natal eu lhe pergunto quais os presentes que o Noel vai lhe trazer e ele repsonde: - esse cara não existe, é um velho pobre. Complementa acrescentando que sua mãe não vai dar presentes esse ano e que esta prestes a se mudar para a casa do pai porque apanhou do irmão. Até aí, nada de anormal. Segundos depois este alguém some juntando-se a um grupo indiscriminado de crianças, pré-adolescentes acompanhados de suas monitoras. Se não fossem as inscrições na parte superior do para-brisa daquele ônibus em que embarcaram, nem desconfiaria que se tratava mesmo é da loucura, uma loucura pura tingida pela maldade do mundo, não aquela aceita pelos indivíduos comuns e aparentemente normais, e sim a condenada pela limitação que a própria fisiologia impôe. A loucura genuína, sem máscaras. A mistura de inocência com fragilidade me faz pensar que se o mundo fosse povoado em sua maioria por este tipo de louco, talvez a humanidade ainda teria conserto.
Tudo é uma questão de ponto de vista, e geralmente esse ponto perpassa nossa capacidade sensível de compreender como as coisas funcionam e realmente são. Às vezes me disfarço com um óculos e suas lentes de aumento, noutras prefiro os escuros, e na maioria das vezes opto pelas lentes de contato. Porém, quando meus olhos repousam, e se banham na escuridão molhada de vultos encantadores, imagino um mundo despido de qualquer véu. Ao tempo que ele me fascina, assombra e hipnotiza, causa múltiplas e diversas sensações...
Fico pensando em quantas pessoas vivem no mundo, em diferentes pontos do planeta com histórias igualmente diferentes e ao mesmo tempo com dramas tão iguais. Começo a compreender que toda essa pantomima organizacional de posições privilegiadas na sociedade e outras nem tanto, se trata na verdade de uma fuga para escondermos por trás de alguns ícones a figura a qual jamais ousamos revelar aos olhos do mundo, nossa essência inteiramente corrompida e humana que insiste em perverter nossos gostos e amordaçar nossa língua enquanto queremos gritar que somos sim, extremamente diferentes e únicos.
Tudo funciona como a cadeia alimentar em que os seres puramente instintivos fazem suas presas, dependemos necessariamente de outras pessoas mesmo que de forma indireta, assim como elas dependem de nós. Neste momento não me sinto mais isolada em um lugar qualquer do planeta e sim percebo que faço parte dele, que estou em sincronia com a sua existência seja como uma consequência da reprodução ou mesmo como um agente causador das minhas revoluções, mesmo que estas sejam internas.
Estar não significa meramente a presença em si e sim o entendimento do que significa o ato presente, seja neste instante, no anterior, nos próximos minutos ou no que nosso vão entendimento considere eternidade.
Cenários modificam-se como um passe de mágica, o que antes parecia intocável ganha novos contornos lapidados por mãos de aço, e o momento que pensei reviver agora, algum tempo depois, é um reles documento invisível que guardo na minha infinitude digital.
Assim como a mudança de personagens e palcos durante esta narrativa foi o objetivo maior da minha descrição, a partir de agora alguma célula dentro de mim se modifica, alguém perde algo terrivelmente importante enquanto o outro ganha na sorte instantânea. Vive-se intensamente enquanto morrem pessoas, cortam-se árvores e constroem-se impérios de vidro inquebrantável enquanto o ônibus apinhado de crianças volta para a escola cheio de esperanças para o ano que esta por vir,comprovando que a mudança é o motivo pelo qual continuamos vivendo.

Dezembro, 09

SOBRE O ATO DE PROCRASTINAR...
É nestes dias de calor febril que sinto uma urgência interminável. Talvez seja culpa do movimento, do ir e vir em que me encontro, das plataformas reais da vida que se entre cruzam com as virtuais para dizer entre links e palavras alguma coisa que queiramos ou esperamos ouvir. Durante um bom tempo estou há adiar milhares de coisas que formam uma pilha de afazeres êncomodos, custo a me deparar frente a frente com elas mas teimo que possa ser tarde demais para começar a desfazer o volume acumulado ao longo de meses. Desta forma, penso que talvez seja hora de fazer um começo diferente do habitual. Depois de queimar os dias no sol tropical das praias do sul, nas madrugadas infindáveis regadas a muita festa, sinto que é hora de centrar a cabeça em algo pálpavel e menos fugaz. Sempre tive para mim que algumas coisas, talvez as mais efêmeras e passageiras são como uma dose única e anestésica de prazer que se dilui rapidamente na corrente sanguínea fazendo com que logo precisemos de mais uma dose, "é claro que eu tô a fim", porém, obviamente a noite sempre tem fim. Correr na chuva, sentir o entusiasmo das pessoas ao meu redor poderia ser uma premissa além de inquietante, renovadora. Porém, há algo aqui dentro que causa uma bagunça tremenda, um caos interior que eu invariávelmente demoro a ajustar. Parece que o mundo vai demolir todas as estruturas perenes e só sobrará o concreto das cidades clamando pelo meu trabalho. Volto à rotina, contra gosto, pois não é aqui que gostaria de estar, apesar de estar ciente de que é isto que devo e tenho de fazer no momento em questão. Sò queria alguém para conversar e adiar por mais algumas horas essa sensação de descontentamento que sempre toma conta de mim em determinados momentos da vida, quiçá não existisse o domingo. Talvez tenha sido o fato de voltar para onde tudo começou, a cidade pequena, as mesmas pessoas, as mesmas ruas e os mesmos trajetos. Tudo premeditado ou demais conhecido. Falta um conteúdo inquietante, um lacre para quebrar, um livro mágico para saborear, falta atenção, falta disciplina, me deixo levar pela sensação e caio logo no tédio. Quero brincar com coisas novas, mas que detenham minha atenção por mais de meia hora. Meus pés sempre dão passos mais largos do que eu possa controlar, estou deitada sob o ar, quero me segurar mas o sentimento que gravita snesta órbita me pende para baixo, é essta tal insustentável leveza do ser...

Wednesday, February 17, 2010


Praia, sol, mar, corpos representando a beleza e as horas dispensadas dentro da academia o ano inteiro para enfim exibir nas areias formas apolíneas envoltas em micro tecidos. Tanto os homens quanto as mulheres gaúchas sabem apreciar a estétíca bela e buscam arduamente este apogeu. Não estou falando de forma crítica bem pelo contrário me considero parte deste time que admira belas formas, porém não dou minha vida por elas... Aliás tenho percebido que quanto mais as pessoas se esmeram para chegar a um padrão ideal mais longe ficam de si mesmas. Como em um laboratório experimental estamos nos testando a todo o momento, queremos ser melhores constantemente, queremos possuir aquilo que há de melhor e viver intensamente a sensação do bem estar que as coisas de um modo geral nos proporcionam, sejam elas materiais, espirituais ou afetivas...
O fato é que as férias põe em prova algumas verdades que coletamos ao longo do ano e fazem elas respingarem no espelho do vento litonâneo uma reflexão propícia a este momento.
No Brasil, o ano começa de verdade depois que se encerram as atividades em torno do carnaval. Aí as pessoas correm pra as lojas comprar materiais escolares e matricular os filhos, começam a pensar em um plano de carreira e batalhar por uma posição melhor dentro da empresa, em trocar de carro ou fazer uma viagem no próximo final de ano e assim por diante. Percebo que nossa vida gira em torno de uma rotina sistemática estabelecida por metas. A meta de perder alguns quilinhos para encarar o verão seguinte, a meta de alcançar uma promoção e receber um salário maior, a meta de ser a cada dia melhor do que o outro ou melhor do que aparenta ou se consegue ser. A verdade é que esta realidade não é uma coisa a qual nós paramos e determinamos que deva ser assim, é algo que definitivamente não é pensado por nós e sim pelo fluxo em que vivemos. Não quero culpar o padrão americano e o modo como a econômia e o mercado funcionam lá, porém é inevitável perceber como nossa vida aqui se inspira nos padrões propostos acolá. Desde o nosso programa predileto, às camisetas que usamos e aos carros que sonhamos dirigir, tudo vêm com o número de série da fábrica gravado em letras garrafais mesmo que por muitas vezes nossa miopia social não consiga enxergar. Aquela velha história que começou com a explosão da indústria cultural e os modelos apresentados no cinema, que perpassou a cultura pop e a reinvenção da arte, dos meios de comunicação em geral e que agora se mescla na onda gigante que mistura todas as correntes marítimas mundiais, chamada internet.
Não estamos mais vivendo os reflexos da indústria cultural nem sob seus esteriótipos, mas nos faltam argumentos críticos para entendermos qual é a nossa verdadeira identidade na era pós-moderna.
Somos fluídos e nossas relações rápidas como o clicar do mouse, somos homo, hetero, bi- sexuais, somos workaholic, aficionados por tecnologia, somos super, megalomâniacos, somos loucos e ao mesmo tempo somos mais do que normais, esses normais que vivem dentro da normalidade cotidiana, da rotina instalada dentro do calendário abrigado pelo iphone, pelo trajeto proposto pelo GPS, pela cirurgia plástica e pela compulsão indiscriminada por qualquer coisa...
Passar alguns dias perto do mar me trouxe uma ânsia interessante de fazer as coisas acontecerem de uma forma diferente. Assim como as ondas quebram ritimadas eM um dia paradisíaco e ensolarado e logo depois quando a chuva cai, tornam-se agressivas e rebeldes, rebentam aleatóriamente causando uma verdadeira anarquia à beira mar, sinto o pensamento movimentando-se em diversas direções.
Nossa órbita diária condicionada pelo tempo muitas vezes não nos faz questionar ou simplesmente prender os olhos à nossa volta e é justamente por isso que o dia de hoje é uma premissa para começar algo relativamente novo, seja pôr a mão na massa ou entrar com o pé direito em um novo território abrigado apenas pela nossa vontade de fazer as coisas que mais gostamos tornarem-se ainda melhores independente do tempo, da convenção, do corpo, da medida ou do padrão...

Friday, January 22, 2010


::Feeling sad could be a way of building castles::

Sinto falta de ter o vento envolta dos meus braços fazendo com que eu me sinta leve por alguns instantes. A estação propícia para adentrar territórios desconhecidos aos poucos se esvai lentamente, a rotina passo a passo é um roteiro que prescreve os dias deixando-os destemperados. Queria poder sentir a intensidade da velocidade com que aos poucos alcançamos quando estamos em movimento em uma estrada em linha reta, porém, parece que o controle remoto dos dias travou no botão pause. Tudo está acontecendo e ao mesmo tempo paralisado. Gosto dos sentimentos de nostalgia, da sensação de liberdade, ser uma borboleta voando incontrolávelmente por todos os espaços enquanto as imagens passam rapidamente sem que eu consiga codificá-las claramente, formando uma narrativa rápida e desconexa, assim eu reflito. Em movimento é que consigo perceber o mundo parar, estranhamente paradoxal, porém delicioso. Acontece que ultimamente me faltam forças, me falta vontade, tesão de ir além nesse percurso contínuo. Estou fechada em uma caixa de presente aguardando um momento propício para entregar-me. A entrega é algo tentador, enquanto estamos inertes, é impossível perceber que ao nosso redor muita coisa permanece intocada. Observar é uma maneira de dizer a si mesmo que nossas verdades são reais, e que nossos sentidos estão a flor da pele. Estou dentro de um túnel metálico rumo ao dia de amanhã, sem horários marcados ou timer apitando para acordar posso tatear as paredes e descobrir algo novo enquanto a noite acontece. Aqui dentro é claro, há alguma luz que incide permanentemente nas paredes fazendo tudo brilhar. Por isso creio que a esperança seja uma maneira de nos contentarmos com as nossas próprias limitações. Enquanto você está fechado dentro de si mesmo, pode entender algo do que acontece à sua volta. Alguém de repente tenta violar o lacre dos seus sonhos fazendo-o acreditar de que são meras ilusões. Mas há algo que te diz para continuar, mesmo que você não consiga sair de dentro do túnel e se sinta preso como bolhas de gás dentro de uma garrafa, você sente que de alguma maneira vai se libertar. E então, volta ao começo, a porta de entrada e percebe que pode fazer qualquer coisa que quiser, independente do universo exterior. Se voar é algo impossível, talvez procure rastejar sobre os ladrilhos estratégicamente colocados com o rejunte dos seus anseios. E então, de repente, tudo de desenrola, abre-se uma porta em meio ao vácuo em que você se encontra, uma imagem diferente reflete na íris. Nuvens correm no céu, cores, formas, tons.....

Tuesday, January 05, 2010





" O homem é o lobo do homem"

Hoje pela manhã acordei e me deparei com um céu cinza de proporções cinematográficas. Fiquei imaginando como seria viver lá em cima, flutuando por entre a imensidão e pulando de nuvem em nuvem a procura de diversão. Acredito que talvez muitas pessoas também já alimentaram sonhos parecidos, já se imaginaram com os pés soltos e lépidos de ponta cabeça para o mundo a fim de desviar a atenção das preocupações terrenas.

Muitas vezes lamento por me faltar a complacência e o alcance para compreender que os dias embalados à vácuo na rotina, não são nada menos do que uma oportunidade de tentar novamente. Com a troca de números no calendário, e estes voltando a correr apressadamente depois das festas de fim de ano, as pessoas igualmente ansiosas nas ruas em torno de seus afazêres, constato que nada mudou. Tudo está imaculadamente intocável, não há vestígios de uma revolução, talvez porque pra mim as coisas não pararam.

Volto no tempo por alguns segundos, percebo como nossas ações condicionam nosso sucesso e também nossa queda. Até pouco tempo atrás assisti um filme do Woody Allen que retratava em capitulos extremamente intensos a vida no átrio da Pop Art de Andy Wahrol. Rodeada de drogas, sexo, mentes inquietas e personalidades perturbadoras, de beleza ímpar a vida na fábrica de sonhos da arte moderna era como uma experimentação em uma tela branca, respingos de cores dilasceravam os dias contrastando na imagem do cenário uma tonalidade ofuscante, por vezes amedontradora, noutras instigante. A loucura humana cifrada em notas para qualquer bom entendedor ler. Sempre admirei Warhol, por ter captado a partir de um recorte da realidade, a publicidade, uma sutileza colorida que revolucionou a concepção artística do mundo. Em meio a revolução da indústria cultural, onde as pessoas passavam a adquirir bens comuns para sentirem-se reais dentro de uma sociedade pautada pelo sonho americano, a beleza, o glamour, as drogas, o vício, a rebeldia, a criatividade e também a carência e miséria humana fizeram de uma das musas desta época Edie Sedgwick entrarem no túnel da autodestruição aniquilando-se e deixando para trás talvez, uma das escolhas que teria sido a melhor de sua existência, ter optado por si mesma. Andy usou do magnetismo e capacidade de expressão, da expansividade de Edie para potencializar seu movimento, a coroou como musa com uma chuva de pétalas de rosa assim como a fez despencar dos altos degraus da fama, para ser simplesmente, uma mortal em busca de uma dose química de salvação. Ela era carente, era rica, bonita e estrela, também poderia ter casado com Bob Dylan se realmente o quisesse, mais uma prova de que são os destinos bruscos que desgovernam o carro da vida, e não os acasos premeditados.

Entrei nesta narrativa do filme porque merece uma analogia, me fez refletir sobre as ações e atitudes que muitas vezes tomamos sem pensar cuidadosamente. A reflexão oscila, entre ser atraente e ao mesmo tempo repugnante, revela diferentes sensações, voltando para o céu, é como estar no paraíso e cair face a face com o chão. As extremidades são contextos extremamente excitantes, pois de qualquer forma, inspiram os mais intensos e profundos sentimentos, sejam eles bons ou ruins e isto me faz pensar que é impossível navegar nestes dias sem contagiar-se com a ingenuidade ou a incredulidade de um sonhador e sobreviver de sensações que tocam apenas a superficie de nossas carências ,que escondem-se por trás de nós como um iceberg no oceano gelado. O fato é que assombrosamente nossas escolhas tem um peso irreparável que nem o tempo, nem as nossas melhores intenções ou desejos vêm para reparar. Assim é bem possível sentir que o vazio que aumenta a insuficiencia dos dias seja na verdade um efeito de amortecimento de uma sede de intensidade quem nem mesmo um oásis em meio a um deserto de nuvens pode saciar.

Friday, January 01, 2010


É VERÃO há um calor latente lá fora, o ventilador gira rapidamente sobre minha cabeça. Uma segunda feira qualquer, poderia ser a última de minha vida, momento em questão onde também algumas pessoas devem estar nascendo. È fim de tarde, ouço os barulhos dos carros passando lá fora, o motor quente, fervendo sobre o asfalto, poeira, raios de sol ainda quentes dão as ultimas pinceladas de cor ao dia que ganha tonalidades laranja a medida que o sol se esconde no horizonte. Há um peso sobre os ombros do qual consigo me desvencilhar por alguns segundos, depois ele volta deixando o dia mais pesado do que o habitual. Alguns dias atrás pensei que estava em uma plena onda de felicidade, um sentimento de liberdade único que só pode ser provado nessas mesmas horas do entardecer sob a emoção intermitente do andar sobre duas rodas em alguma avenida da cidade e levantar as mãos para o céu vislumbrando no horizonte um rastro de estrela e nuvens brancas que mais parecem flocos de algodão e ganham formatos de objetos a medida que fixo o olhar nelas durante um espasmo em segundos de velocidade. Porém nos últimos dias cansada deste exercício de contemplação habitual, com um sentimento infundado de ânsia por padecer em um momento de êxtase infindável, me subordinei à força das minhas próprias paixões, na incoerência de elucidar esta inquietude voraz, e como uma lebre me infringi ao prazer momentâneo, povoado de luxuria em lençóis prata. Me senti como uma deusa da fertilidade, envolta por um cenário exótico, requintado, atraente e sedutor, deixei os instintos tomarem forma de ações e ecoar naquele quarto murmúrios por vezes silenciosos noutras estridentes. Um ar artificial e gelado consumindo o ambiente e a fumaça de cigarro se dissipando por entre meus lábios. Estou deitada em um divã de prazeres imediatos, me chamo tesão e vou até o último resquício de satisfação que a carne pode me proporcionar. Estou em transe, há uma certa inconsciência pairando sob o ar que enganosamente parece leve. Lá fora cai chuva sem parar, trovões, céu cinza, me sinto resguardada em uma redoma de desejos com luzes coloridas de uma tonalidade artificialmente glamorosa, excitante. Me despi completamente diluindo-me em uma personagem de mim mesma, de uma parte oculta que se esconde obscuramente no entre abrir dos sorrisos da minha existência. Quando me dei por conta estava consumida pela minha própria vontade. Meus sentimentos transformaram-se em dúvidas, o paraíso terreno tomou forma de prisão, cenário macabro onde as pessoas se cerram tentando buscar a saída em uma janela dentro de si mesmas, mas na tentativa vã de encontrar o lado de fora se perdem no confluente de suas mais misteriosas visões. Não parei para pensar necessariamente no que meus atos podem acarretar, pois a busca de satisfação parece não ter fim, cega, inquietamente extasiada procuro uma maneira de encontrar uma alma que traga um pouco de paz como um vampiro vaga pela noite a procura de sangue para provar da intensidade dos mortais. Abro um parênteses encontro alguns amigos, atendo o telefone, espero por alguém, encontro este alguém e entre uma pantomima a fim de demonstrar quem sou eu, descubro um ser divertido na plataforma de encontros reais. Voltando ao momento em questão, estou diante de uma colossal aventura por este abismo que se chama terra, onde pessoas vem e vão ritmicamente e muitas vezes servem de suporte para carregar as nossas mais abstratas ilusões. Não costumo me identificar com a lógica, principalmente porque não existe lógica quando se seguem apenasos impulsos nervosos que estão em constante explosão dentro de nós, porém hei de admitir que muitas vezes a culpa, a culpa misturada ao medo de não ter mais a liberdade que a existência pode conferir pelo soprar do vento ou pelo simples estar em todos os lugares a qualquer momento, a qualquer hora com qualquer pessoa, deveria se traduzir em pensamentos sensatos para então despejar na existência um alivio estarrecedor de coerência. Como num quebra cabeça, só consigo retratar a imagem que eu mesma estou a tentar desvendar, quando todas as peças estão encaixadas proporcionando uma boa resposta para meu ângulo de visão. Realmente a cada dia procuro entender o porque de tanta insatisfação. Há um vazio tremendo a ser preenchido, um vazio que ainda carrega lastros de uma arma de fogo, o amor. Aquele sentimento contundente que te tira o sono, te leva para as alturas e te derruba no chão sem que você perceba que está caindo. As pessoas procuram amor em tudo, só que elas discriminam este sentimento, elas se perdem em seus próprios jogos de parecer serem si mesmos e acabam por não encontrar realmente alguém que as faça feliz. Justamente porque é difícil tolerar os próprios defeitos. È muito mais fácil idealizar alguém perfeito no qual possa espelhar toda a ilusão que por anos a humanidade carrega sobre a perfeição. Algo que não se materializa nunca, porque invariavelmente há um quê de fábula, de sonho, de um mundo fantástico onde as histórias reais não conseguem um suporte para acontecerem. O amor está para ser descoberto, por mim, por você, pelo o velho, pela a viúva, pelo o desempregado, pela a prostituta, pelo pai de família, pelo trabalhador, pelos desonestos e quiçá pelos corruptos e intolerantes. Talvez algumas pessoas empunhem bandeiras nesta derradeira de início de século procurando resguardá-lo em um plano supremo rodeado por ideais. Talvez se perca no rio fluido que se tornou nossos dias, ou talvez simplesmente continue sendo a mentira na qual todos gostam de acreditar, um mero entretenimento para as vontades deixando a alma a mercê de manipulações.

Sunday, December 13, 2009


Ainda preciso descobrir qual é a urgência que tanto me aflinge...
O passar apressado dos dias correndo através dos números do calendário imperceptíveis marca no velocímetro das sensações um dígito incoerente.
Estou como um monte de pedras soltas no chão, ainda não consegui decifrar porque invariávelmente me sinto tão fragmentada. Há muita expectativa envolta em sonho em ideais que muitas vezes são meros desenhos abstratos... E há mais que isso a vontade de ter uma mão envolvendo o coração. Um calor que cuide, que esteja presente quando todas as tentativas falhas e frustradas do cotidiano tivessem um porto onde aportar sua carga. Há certos sentimentos que permanecem calados, mesmo enquanto a vontade é de gritar despejando-os ao mundo com um eco forte. Essa tal de felicidade que me invade em algumas manhãs e se esconde atrás das árvores verdes com folhas quentes do prenunciado verão. Os carros passando, as pessoas apressadas comprando presentes, alguém se sobressalta em meio a multidão, e desaparece como um sopro de vento instantâneo sem deixar vestígios. As oportunidades vêm na medida que nossas vontades se tornam cada vez mais evidentes, e ao mesmo tempo, quando nem mesmo sabemos como agir diante dos fatos, das situações. Estou só, isolada, no meu mundo, no paralelo de cores intensas que pintei para admirar todos os dias. Quando reflito no espelho vejo uma imagem desconhecida e ao mesmo familiar, vejo diferentes perspectivas como se a imagem que vejo se movesse a medida que viro os olhos diante dela... E me inspiro só de pensar que talvez um amor, um lugar, uma ocasião pode decifrar esta imagem que se insinua a primeira vista. Afago as palavras para que elas se tornem mais doces, mas no fundo gostaria que elas fossem apenas verdadeiras. Esta tal superficialidade que coexiste com o movimento de tudo, é algo que realmente frustra...

Wednesday, November 25, 2009


A PORTA FECHADA


Cerro-me em um planeta.

Que mundo é este? Tão particular mas tão desconhecido.

Que mundo é este que se diz maravilhoso quando tudo que faço é fechar os olhos para não ver o que meus pensamentos querem dizer.


A dor é um misto de sensações inexplicáveis que fazem as lágrimas cairem como gotas d´aguas em uma torneira aberta para a rua. Escorrem por entre os dedos as expectativas que alimentaram meu coração para não mais voltar.

Sinto pesar, sem entender como, se ninguém está morto. Sinto um abismo dentro de mim e ao mesmo tempo enquanto a música penetra em meus ouvidos, sinto a liberdade que ela me traz em cada verso. Sinto como se estivesse em um lugar somente meu, um território palpável de sonhos secretos.


Às vezes acho que a loucura me invade, mas são nesses momentos que mais me sinto eu. Eu não quero nada eterno, só estou em busca de satisfação.

O fato de ter alguém me notando o tempo todo me perturba e ao mesmo tempo condiciona a querer mais do que posso obter. Posso simplesmente gostar que me amem sem nem mesmo amar ninguém, e posso acordar pela manhã anestesiada e sentir as árvores me abraçando, falar com elas, cantar a rima das folhas sem precisar que elas me encarem nos olhos.

Na verdade às vezes não sei se estou a interpretar o personagem de mim mesma, se estes insights são fruto da minha imaginação ou se tão somente eu pinto um quadro com as cores que quero enxergar.


Esta relação que estabeleci é um paradoxo. Enquanto um lado voa, o outro se amarra ao chão buscando o silêncio para calar a voz que esbraveja dentro de si.

No escuro, transformo essa sensações em recortes de um dia numérico do calendário. Não quero mais ser uma só para ter de acordar todas as manhãs carregando as mesmas lembranças.


Quando a outra apareceu já era tarde. As unhas pintadas de vermelho escreviam rapidamente no papel letras em forma redonda arroxadas na folha que deixa de ser branca rapidamente.

Esta mesma que voa para longe enquanto anda rapidamente no passo habitual, quer voltar para a terra onde os cheiros se pronunciam nas calçadas e as construções estão mais perto do céu. Onde o sorvete têm sabor genuíno de chocolate e os ladrilhos do chão são varridos pelas folhas laranja douradas com o movimento do vento.


Escrevo para alguém que está longe esperando que eu chegue, ansiosamente, como nos filmes dramáticos que esqueceram de editar um final feliz. Talvez eu não mande mais notícias para ninguém, fique apenas vislumbrando um resquício de lembrança boa para embarcar dentro dela e decolar em seus vôos.


Prefiro o mar revolto da personalidade refletida em um caleidoscópio do que a metade que completa outra... Entendo o ditado em que muitos acreditam que no amor as pessoas se completam. Mas não é nada disso, elas apenas deixam de ser inteiros. São seres que se invadem a medida que se ultrapassam as barreiras da intimidade sem pretensão alguma, e quando se dão por conta estão envoltos em nós de si mesmo que se tratam apenas de metades, recortes e fragmentos da própria personalidade que se moldam a partir daquilo que o pudor os fez esconder para não se perceberem frente à frente tão assustadoramente múltiplos.


Com o tempo alguns abandonam suas outras partes e passam a viver apenas uma face, a que é compatível com a metade do outro, um efeito de tolerância que muitas vezes não se traduz em amor, enquanto o outro insiste em se esconder em outrém e assim sucessivamente. Esta insustentável leveza que alguém já dizia é o peso que alguns têm de carregar, mas um peso que estimula a musculatura, enrijece-a, tornando-a não menos sensível mas porém mais resistente.

Se um coração sonha, isto não impede que o outro não sonhe também...

Egoísmo, pretensão querer ser dona de um coração e prendê-lo dentro de si, como fazem com os passáros nas gaiolas.


Agora percebo porque tanto pesar...É difícil aceitar que ser o movimento muitas vezes significa estar só. O ar, o vento, as nuvens, todas estas coisas que se movem acima de nossas cabeças vivem sozinhas apesar de pertencerem a um mesmo universo. Diria até que a lua tem um amor mal resolvido com o sol enquanto as estrelas padecem por serem astros menores e viverem em constelações. Te deixo, te abandono e te liberto para ser quem quiseres que seja pois continuarás humano e para mim de qualquer forma cheio de defeitos. Vou fechar a cortina dos olhos e ter os sonhos da moça de unhas feitas espderando o amor chegar pelo trem que passa no litoral frio e rochoso rapidamente, não deixando pistas, apenas tendo como testemunha de sua passagem a imensidão do mar a bater cadencialmente nas grandes rochas geladas.

Tuesday, October 27, 2009

Pedaços de um mundo inteiro guardados em uma caixinha.
Retratos registram lugares, espasmos de tempo, momentos guardados em um flash instantâneo.
Pudera eu enxergar entre o vão do tempo e fim de tentar sentir as doses de euforia que ficaram para trás.
O corpo esta congelado sobre a areia, parado esperando que a onda venha arremessar-se por cima e tirá-lo desconfortavelmente da solidão, tocando o chão, gelando as artérias, tudo treme.
Prende-se à tela que liga à outra realidade, há se fosse possivel utilizar este canal invisível para viajar atráves dos espaços deixando o corpo navegando no vazio, submerso no mundo das palavras em busca do intangível...
Um conta gotas de sorrisos cerrados, um impulso insconstante que pensa-se ser reprimido, calado invade os orificios mais recônditos de um coração fazendo das batidas um toque acelerado...
Apenas se quer contentamento, apenas se busca diversão
apenas se idealiza aquilo que parece perfeito, ou que está em outra dimensão...

Tuesday, August 18, 2009




Tem palavras que ficam recônditas nos cadernos... Tem outras que sopram no pensamento e fogem pelo ar, e têm aquelas que imploram vêemente por serem derramadas em qualquer superfície pois sufocam e agonizam, dilaceram o intervalo de tempo que estão sendo expressadas com doses agudas de sentimentos diversos. Estou sentada em uma plataforma distante, posso ver o céu encoberto de um manto vermelho e algumas nuvens escuras contrabalanceando a paisagem rubra. Ouço vozes e movimentos da rua, vejo as folhas e galhos das arvores formarem um desenho abstrato emoldurado pelo céu, a fumaça se dissolve no ar úmido e denso, o cachorro late e as luzes dos faróis refletem na parede mais parecendo vultos cincronizados em flashs rápidos... Penso nos meus amigos, penso na minha família, no futuro que parece um vão curto entre o presente em que a qualquer momento se pode cair, sem mais poder subir novamente à superfície. Antes da queda, imagino um lugar onde não precisa contar os minutos, horas, segundos e dias, ou nem mesmo olhar no calendário. Tudo é pressa e nada acalma. Ansiedade é como um ácido que corroe lentamente as vontades, o prazer, até o entretenimento se torna vão, e é compensado por mecanismos técnicos que fazem da rotina uma máquina inquebrantável de repetições em larga escala. Não há aquele sabor intenso de lágrima misturado ao calor de uma boca, nem mesmo há aquela sensação de nostalgia que é própria dos apaixonados. Há um esgotamento da memória, um desejo imenso de apagar algumas lembranças e matar algumas pessoas, para sim enterrá-las no passado sem coroas de flores, murchas! Gosto das diversas interpretações que podemos tirar das manifestações da natureza, do belo e da formação congênita das cidades mal organizadas, quero ir além em alta velocidade e não olhar para trás, simplesmente.