Saturday, August 16, 2014



Temo dizer que por muito tempo escrevi por causa de você. Uma tristeza melancólica que me acompanhou desde que o sopro da vida adulta me acordou. Passei por muito tempo longe de registros escritos, buscando qualquer forma de felicidade encontrei mil maneiras de me manter distraída, e por consequência, a maldita distração  me afastou dos meus melhores sentimentos críticos.

Já devo ter escrito sobre isso, mas sempre fui triste, para além de contente ou qualquer coisa assim, dentro da minha tristeza eu construí um mundo com base no pensamento. Me distrai quando deixei de pensar, e acabei por não escrever mais.

Um dia encontrei uma palavra sublinhada num livro chamada amor, 4 letras, bem  simples, objetiva, sem rodeios, nada complexa como estava acostumada a imaginar, e aí, tudo se foi.

Talvez a inspiração esteja lá no fundo escondida, não sei, gostaria que ela voltasse qualquer dia desses, não gosto de escrever mecanicamente, me parece um tanto burro, previsível.

Eu gosto de pessoas que sabem tocar com as palavras, pois muitas vezes foram elas responsáveis por estabelecer uma relação de proximidade entre corpos e mentes fisicamente separados. As palavras presentes nas cartas, não essas que dispensamos sem muito cuidado nas redes sociais, estou em busca delas.

Eu tinha um amor que me fazia escrever, um amor de mim, um ideal de amor, um escritor...
Queria pelo menos mostrar que eu também sabia escrever, pra tentar aquela ponte que eu acabei de descrever no parágrafo acima. Aí certo dia, não encontrei mais o estímulo pois onde eu verdadeiramente o procurava não o podia mais encontrar.

Partiu, sem nunca dizer oi ou tchau, partiu sem nem mesmo chegar, e incrivelmente ainda tenho uma certa reminiscência desta maldita sensação.

Às vezes procuro notícias, mas sinceramente, não acredito que seja isso mesmo que me faria voltar a escrever. Tudo mudou tão de repente, assumi um biótipo novo, uma vida nova, uma imagem, um auto retrato que substituiu meu eu de antigamente. 

E por falar em retratar, queria saber quem é esta que repousa todos os dias imóvel sobre a minha cabeceira, escondeu os  sonhos no bolso da rotina e anseia fortemente para tirá-los de lá a todo custo.

Se tem uma coisa que não mudou foi a pressa, a cada dia tenho mais pressa de realizar coisas que nem mesmo sei bem o que, mas é um desejo urgente, de uma vida dinâmica que eu estou deixando passar, ou ela está passando e me deixando para trás, ou estou deixando para atrás aquilo que considerava parte de mim...

Confuso, é, talvez não seja tão óbvio e claro assim, continuo um pouco complexa, quisera eu entrar dentro desse labirinto novamente na tentativa de decifrá-lo. Mas agora tenho ajuda, tenho quem o decifre, parece tão inútil voltar...

Chove.

Mas aquela chuva fraca, sem vento, sem sabor, sem movimento. Talvez se não estivesse tudo em silêncio eu não estaria aqui. De tudo que unicamente sei, é que o segundo deve ser hipervalorizado... Carrego essa sensação radiante desde o sempre, e para sempre.

A intensidade é medida pelo grau de aproveitamento de cada segundo, este por exemplo, acredito estar aproveitando na potencia mil.

Me sinto dentro de um trem, essa é uma das minhas imagens recorrentes e a descrevo com prazer. Estou sentada em um vagão repleto de passageiros, mas me sinto só, reclusa na abstração daquele momento. Vislumbro a terra passando rapidamente, as cores se fundindo em uma tela só, isso é extremamente inspirador. Céu, nuvens de algodão, gramado verde, oceano, encostas rochosas, uma paisagem realmente espetacular...

Poderia estar em um avião, mas não seria a mesma coisa, apesar de que amo voar.
Prefiro a imagem do trem, com seus vagões percorrendo trilhos construídos por mãos humanas. Um trem rápido o suficiente para me transportar a diferentes lugares, e lento na medida que eu possa aproveitar o a paisagem durante o percurso.

Recosto a cabeça, durmo, Tenho certeza de que estou me mudando em breve, uma mudança de dentro pra fora que já faz algum tempo é parte de mim. Me mudo a cada dia, quando resolvo sair do lugar de inércia que acabei por cair.

Quero ir, insisto, quero ir, para aonde? Não interessa...

Monday, September 19, 2011


Recentemente a morte visitou minha família. Ela foi daquelas surpresas que aparecem de supetão sem que você nem tenha como recusar a visita. There´s no choice. Nenhuma chance, nenhuma janela de emergência nem uma basculante em um labirinto sem saída. De repente tudo fica cinza, mas não porque a morte seja escura, mas porque ela não é compatível com a vida, do contrário não seriam opostos um do outro. Aí, depois do susto, vem os instantes de desespero, porque como era de se esperar a morte vem pra buscar, ela não leva ninguém para passear e traz de volta. Geralmente a morte é como uma premiação de consolo para os que estão em um campeonato e chegam por último, é o caso dos velhos. Os velhos sabem que vão morrer, eles esperam por isso e de repente ela vem, premia aquela espera enfadonha que é se sentir inútil perante a sociedade pelo simples fato de ser: VELHO. Não que todo mundo se sinta assim, mas pensando da forma mais generalista possível, eu diria que uns 70% acham que morrer é um alívio dentre as circunstâncias como doença, invalidez, solidão, marginalização etc. Os outros 30% sobram para aqueles que morrem jovens, inesperadamente, como um sopro de vento em um dia quente, ou uma chuva torrencial no sertão. Então eu comecei a relativizar tal situação. Morrer só se morre uma vez, e não tem escolha, como nascer até o que tudo indica. Porque a gente não lembra se viveu outra vez ou não, e se já morreu também. No nosso dia-a-dia, os homens criam cada vez mais atrativos, aparatos, entretenimento e distrações, para nos fazer acreditar que somos imortais, e é aí que ela nos pega, não pensamos nunca, ou quase nunca sobre a MORTE. Mas ela é certeira como uma flecha, e mesmo que demore, uma hora ela vem. Agora vislumbrei uma cena de filme: O moçinho está lutando contra o bandido, todas as armas são desnecessárias, ele já esgotou todas possibilidades, então rendido, ele acaba se entregando para o adversário e morre no campo de batalha. É assim, nós estamos no campo, e uma hora ou outra a morte vem, mesmo que tenhamos armas, ou uma câmara hiperbárica como o Michael Jackson, a gente vai. Se a morte fosse narrada pelo Zé Graça seria: Pega vai e não volta, dá uma rebimbada na plantinha e cai duro no chão. Eu tentei fazer graça, porque é a partir dela que encaro a morte como consequencia, também não sei de quem foi a ideia de descrevê-la como abismo, como coisa ruim. Talvez a morte seja algo bom, para aqueles que souberam entender em vida qual é o seu sentido. Eu pulei de um extremo para o outro, em pouco tempo. Certa vez eu achava que viver, era o agora, o hoje, ao máximo possível com todos os artifícios necessários para deixar isso ainda mais intenso e alucinante. Até que cheguei a conclusão que é impossível viver tudo ao mesmo tempo. Aí eu aprendi a viver de pouco em pouco, e consegui entender porque a morte existe. Eu sinto porque meus familiares adoecem pela tristeza. Se deixam levar pelas emoções na espera de um consolo que jamais virá. Mas não me identifico com esse sentimento, porque o nosso maior desafio, é fazer diferente quando todos esperam que façamos igual.

Thursday, August 04, 2011

Learning How To Feel


                              É difícil constatar que tudo que você mais amou ou odiou ser, lentamente foge daquilo que você é hoje. Passado e presente não são necessariamente a mesma coisa, pelo contrário, insistem em se dissociar a medida que é impossível seguir em frente sob duas formas. Ou você vai por um lado, ou vai pelo outro. A velha  história da encruzilhada das escolhas. 
                         Como eu adoro sentir a sensação que meus dedos deslizam no teclado em sintonia com cada pensamento que vem à cabeça, e é tão bom poder escrever sobre o que busco ser e não sobre o que já fui, pois isto seria tão demodê. A verdade é que estou sofrendo uma grande mudança. E nenhuma mudança que seja por inteiro verdadeira, passa ilesa. A maior prova disso é a natureza. Vivemos em meio a ciclones, catástrofres naturais, chuvas torrenciais, ventos que movem montanhas e destroem civilizações, e ao que tudo indica isso é a mesma coisa que uma tempestade emocional. Uma força gritante que arde na pele e queima a alma. Fragmenta aqueles pedaçinhos que remontam uma história guardada no fundo do baú das memórias, e sustentam um frágil momento equilibrado sobre o pilar da nostalgia. 
                      Estar de olhos abertos não significa exatamente enxergar. É preciso sentir antes de tudo. "Filtrar as emoções pelo intelecto, e o intelecto pelas emoções". Colher do movimento ao redor um pedaço de esperança para fazer do resto dos dias, melhores. Não ser pego pelos detalhes, fazer a diferença. Mas ao mesmo tempo, esses nós que deixamos atrelados ao passado parecem que nunca desatam. É como fazer uma tattoagem, mesmo que você mude, ela vai permanecer em você. Isso fortalece a idéia de que tudo que eu fizer de bom, ou de ruim, vai permanecer de alguma forma em mim. Gosto do fogo por isso, ele transforma tudo que toca. Queima, reduz a cinzas formas volumétricas. E o que o volume simboliza se não houver intensidade? Nada. 

Thursday, June 30, 2011



Não lembro se foi na infância, ou se já estava na adolescência, deve ter sido um pouco dos dois, mas a Cecília Meirelles realmente marcou determinada fase na minha vida. Seus poemas simples, e ao mesmo tempo tão sábios, tão femininos, tão nossos, me aqueceram a mente nesta manhã fria e cinza.  Eu tenho fases como a lua, fazer de ser sozinha, fazer de ser sua. Devo ser uma Lua Adversa como  bem descreveu a autora, eu e mais umas tantas. No mesmo instante em que eu colei este poema aqui no blog, pude ler o relato de outra pessoa falando sobre a primeira vez que viu este poema, devia ter uns 13 anos...

 

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia, o outro desapareceu...

Cecília Meireles
Ainda bem que eu mantenho dois lugares pra postar minhas cotidianices. Desta vez eu resolvi parafrasear:

Duas vezes e mais um pouco de mim.

Ás vezes a superficialidade
tenta me arrebatar por inteiro
Ando por aí como quem não quer nada
Vivo a vida sem rodeio
Ás vezes uma profundidade fria me consome
E mesmo que a temperatura congele meu exterior
O coração se mantém aquecido
Vibrando num ritmo encantador
Eu piro em mim mesmo
Na minha adversidade e no meu paradoxo
Se disser que nunca me contradisse
Estarei desdizendo o indizível.
E eu sei muito bem brincar com as palavras.
Assim como desaprendo quando um vento
Me vira para o norte
Me fazendo pensar
Que nunca estive no sul.
Na verdade às vezes eu tenho vontade de fugir
Mas tudo que é oposto ao que vivo
Parece intensamente mais intrigante
E em outros momentos
Eu só quero ficar
Preciso que me dêem
Um colo pra deitar.
Eu vou e volto nesta intensa sintonia
E eu ainda acho que é melhor
Estar em movimento.
Porque ao contrário do tempo
Meus ponteiros não giram e voltam para o mesmo lugar.

Tuesday, June 28, 2011

"Esta noite sonhei com minha mala. Eu estava em uma estrada e de repente a levaram. Um pivete que vestia um casaco vermelho com capuz, a levou para dentro de uma grande escola, tive que correr por salas e escadas compridas atrás dela. Em meio a essa correria me deparei com um curto circuito, algo se prendeu em torno do meu pescoço dando um choque em mim e em um homem que tentava me ajudar, ele infelizmente morreu, eu fiz mta força para aquilo nao tirar todas as minhas energias, e consegui me libertar do fio. Meus dentes estavam escuros, sai correndo em busca da minha mala,  e a avistei parada, em frente ao que parecia uma lancheria, continuei por entre as escadas e labirintos daquela imensa construção, até que enfim, cheguei ao lugar que havia a avistado. Era uma ilusão de ótica, na realidade não era minha mala que lá estava e sim um carrinho de metal com umas borrachas amarelas em volta. Foi desolador. Corri novamente, não sei como encontrei minhas coisas atiradas no chão em um monte, a mala acho que havia sumido, meu óculos de sol estava todo torto e o recuperei, nao sei como tão rapidamente perdi o interesse por todas as minhas coisas, enfim  acordei."

Com o tempo tudo se aprende, se assim mesmo for a vontade que se tem na vida.

Uma vez escrevi sobre quanto vale o amor de um homem., acho que continuo sem saber a resposta para essa pergunta. Primeiro porque um relacionamento não diz respeito a equações. Segundo porque é difícil ter um padrão de medida matemático quando se tratam de sentimentos.
Vivemos e cremos em um mundo que gostaríamos que fosse perfeito, e da mesma forma projetamos isso nas pessoas que nele vivem e que conosco convivem. Mas elas não o são.  Nada é perfeito e incrivelmente no que diz respeito aos relacionamentos, algumas histórias se repetem. Porque quando você idealiza uma realidade, inevitavelmente você cai nas armadilhas do cotidiano, do comum, do normal, afinal não somos super heróis e nosso dia-a-dia está longe de ser fantástico. Você sente, vê e pensa o mundo de uma forma, mas isso não quer dizer que o resto do universo fará o mesmo. Você cria suas fantasias, vaga pelos labirintos estreitos dos seus sonhos e às vezes desconhece o inteiro que está bem ao seu lado. Por que? Tenho duas teorias:

-Primeiro,  é infinitamente mais fácil ver tudo do modo ao qual estamos acostumados a ver e não se por no lugar do outro.

-Segundo, por vezes a realidade parece tão assustadora, então torna-se muito mais cômodo acreditar em qualquer outra coisa do que no que os próprios olhos vêem (não deixa de ser comodismo também). E é por isso que ninguém que ficou sentado em uma poltrona sem se mover,  fez alguma diferença no mundo até hoje. Seria muito fácil compreender tudo se pudéssemos optar por ligar um botão e dizer, isto é real, isto não é. Mas pelo contrário, a realidade é do tamanho da nossa consciência, e muitos a desconhecem.

Mas não se trata só disso, tudo à nossa volta é uma grande extensão elétrica que fornece energia para uma cidade. Felizmente eu tenho ciência de que faço parte desta  cadeia. E sabe o que acontece quando falta luz em uma casa?  Aparentemente nada se modifica, pois afinal são tantas casas, só uma luz apagada não parece fazer muita diferença, mas o faz. Se você subir no lugar mais alto desta cidade à noite, e tiver a percepção atenta para observar, para ver o todo, logo se dará conta que algum lugar está escuro, lá uma luz deixou de brilhar. E é exatamente assim que eu me sinto algumas vezes. É algo extremamente involuntário que sempre me sinaliza que algo não vai bem. Como aquelas pessoas que enxergam luzinhas quando estão mal de algum órgão interno ou comeram um tempero muito forte. Esta na verdade, não é uma sensação ruim, e sim esclarecedora. Dependendo do ponto de vista ela pode ser brutalmente invasiva, está aí mais uma prova de que tudo depende do ponto de vista! Se você faz parte deste grande todo, e sente que em algum lugar algo está errado, é impossível negar. "É tão certo quanto o calor do fogo", já dizia a música. E a vida inteira eu posso dizer que sinto essas coisas, e outras mais. Nestas outras mais incluo outro questionamento sobre a vida: Quanto vale o preço de uma liberdade? Existe fiança que pague?

É partindo destas duas perguntas básicas que pautaram minha reflexão, que é possível tentar descobrir o real valor de um relacionamento. Ser livre, dono de si mesmo e de suas ações, transitar pelo mundo como alguém inteiramente único, só, um indivíduo que carrega o peso de sua cruz sem dividi-la com ninguém e que apresenta uma face brilhante capaz de ofuscar a luz mais intensa, e outra proporcionalmente escura, abissal.
Ao mesmo tempo ter alguém com quem dividir tudo é tão mágico e especial, tão inspirador, se genuíno, tão importante quanto um dia de sol, mas algo que invariavelmente requer habilidades inumanas.

Um dos grandes motivos dos relacionamentos modernos não darem certo é a invenção da oferta. Preço tudo parece ter, e ao mesmo tempo tudo está em liquidação, mulheres bonitas principalmente, e já aviso de antemão, que eu não estou. Você pode ter o melhor produto em casa mas a liquidação sempre será irresistível, e isto serve mesmo para aqueles mais convictos de seus propósitos. Afinal, o ser humano tem olhos para a novidade como alguns animais o tem para a caça.

Quanto as mulheres em geral, acho uma pena que saibam que a única coisa que as faz produtos em oferta extremamente desejáveis é a embalagem. Como se todo dia fosse Páscoa, temos milhares de ovinhos em promoção, mas todos muitas vezes decorados para exprimirem exatamente o sentido oposto que a data pressupõe. E é incrível porque ainda nos dias de hoje, as pessoas caem na conversa do coelinho da Páscoa, mesmo aquelas que mais amamos.

No dia-a-dia é tão difícil perceber essas sutilezas? Ou eu que idealizo um ser humano que ainda não inventaram?  Não julgo as belas e narcisas mulheres, pois às vezes eu também sou uma delas, questiono as pequenas almas, aquelas que não podem ser nada além do que aparentam.

Por ventura descobri que algumas das minhas perguntas jamais terão resposta racional, matemática ou concreta. Mas é reconfortante saber que estou ciente da diferença entre aquilo que meus olhos enxergam e do que eles gostariam de ver, dos meus atos, da minha vida, dos meus princípios e das minhas ações, que ainda juntamente com todos os defeitos que pretendo amenizar progressivamente, me fazem ser a cada dia mais bela. Uma bela criatura, dependendo do ponto de vista. Assim até me conformo com a idéia de me tornar velha, pois a idade é ao mesmo tempo um laboratório de vida apaixonante!

Thursday, June 23, 2011

Existe um tempo em que os olhos ficam estáticos. parados, vislumbranDo uma folha em branco de papel. Como se tudo ao redor estivesse pintado com uma tinta opaca e a visão turva como os olhos míopes. De fato eles o são, às vezes escondem coisas que não queremos ver, tornando umas pequenas e outras grandes demais. Me pergunto se a visão é apenas um estímulo nervoso ou algo extremamente ligado ao que nós somos, a nossa alma, se é que ela está guardadinha em algum lugar. Quando vejo algumas coisas, não digo olhar sem perceber, enxergar e atribuir sentido, sentir com os olhos, às vezes me assombro. Pela vida ser tão perfeitamente encaixada e estarmos mesmo assim buscando uma peça que está faltando. Isso se chama instatisfação. E esse sentimento surge para os que estão de olhos bem abertos, e também para o que estão com eles cerrados. A instatistação é algo natural do ser humano, isso me faz pensar que não fomos criados para estar aqui. Para vivermos como vivemos, e esperar desta vida o que esperamos. As vezes tenho a impressão de que tudo não passa de meros objetos que criamos para nos distrair, enquanto o tempo, que parece muito rápido passa devagar. Eu sinto tudo escuro mesmo que as luzes estejam ligadas para mim, os raios do sol fugiram mas os postes estão de pé. Imagino cenas cotidianas, lugares nos quais nunca estive, mas que ao mesmo tempo me parecem tão familiares. São portas que fazem vizinhança com a minha, as vezes bato nelas, as vezes forço para entrar, mas mesmo assim, elas permanecem fechadas. Às vezes eu acho que só eu me sinto assim, é uma decisão egoísta., mas eu realmente estou sozinha nessa, afinal, quando você está do lado de fora da porta você não sabe o que há por trás dela.

Tuesday, June 21, 2011


A cachaça Pós Moderna

Faz tempo que não escrevo, que não crio que não invento.
Às vezes eu acho que passou uma eternidade desde a última vez, mas meu imediatismo costumeiro sugere que só desta vez, eu esteja dramatizando um pouquinho.
Falando sobre coisas desimportantes ou essenciais, depende do ponto de vista, em uma plataforma qualquer, nestas tardes que as gotas da chuva insistem em cair freneticamente e molhar tudo em volta, eu resisti mas resolvi tentar fazer as pazes com o teclado, e escrever um amontoado de palavras que há tempos eu não escrevia. Ora por falta de necessidade, ora por preguiça, ora por falta de inspiração. De qualquer forma, seja lá por qual motivo algo despertou infinitamente a minha vontade de teorizar. E desta vez, ou mais uma vez, é sobre a pós-modernidade, pra quem me conhece não é muita novidade, mas ok. Prosseguindo, estava eu em um desses momentos de ócio não-criativo conversando com uma colega, não posso revelar seu nome, mas me liberaram as iniciais: J.A. 23 anos, estado civil: namorando, mas ainda no papel solteira, paga suas contas, é independente até certo ponto pois não lava suas roupas e não cozinha, isso sugere que ainda mora com os pais e é melhor eu parar de dar detalhes caso contrário vão descobrir quem é a colega na narrativa em questão. Pois bem, estávamos conversando sobre a mediocridade que tem sido estes dias cinzas, frios e chuvosos, entre um café e um suspiro, o que também não deixa de ser algo extremamente clichê porque se tivessem anais para nossas frases diárias, eles iam estar floridos de palavras que combinam por associação: café, frio, chuva, ócio, trabalho, internet, porque tudo isso coexiste, mas enfim. Nesta altura do campeonato vocês me perguntam aonde anda a cachaça Pós Moderna, ok eu já estava chegando lá. A cachaça Pós-Moderna está a um milímetro de um click, é um sentimento de adição despertado no limiar do toque entre os dedos e o botão do mouse que vai tomando conta do indivíduo dominando suas vontades e dirigindo-o para janelas costumeiras. E essa aproximação se repete diariamente. O indivíduo para em frente ao desktop, aciona o botão antigamente conhecido como “power” na maioria dos aparatos eletrônicos, que não quer dizer poder e sim “ligar” hahaha, ele liga este botão e sua vida se transforma. Primeiro porque sabe que mil prazos estão voando ao seu encontro, que amigos desocupados como ele ou nem tanto, mas que sempre acham uma brechinha para postar uma besteira qualquer nas redes sociais, estão ansiosos para que ele deixe um comentário em seu mural ou página pessoal, como queiram, pra não dizer que sou partidária do facebook. Aí, todos estes indivíduos que teoricamente transitam nas ruas dizendo que estão atrasados, que não tem tempo nem de escovar os dentes, se encontram nesta órbita fluída que aparentemente é um ponto de fuga da realidade, e ficam ali, falando sobre suas cotidianices, divagando sobre o indivagável, e venerando a quantidade de comentários que surge absurdamente e compulsivamente a medida que o F5 atualiza o navegador indicados por uma tarjinha vermelha. Esta é a cachaça Pós Moderna minha gente, você não precisa ir até o boteco ao lado para fugir dos seus problemas, o mundo inteiro conspira para que você faça isso simultaneamente, enquanto trabalha e desenvolve suas atividades corriqueiras na plataforma de metal montada bem a sua frente. E nesse quesito eu insisto em falar, que em uma era como esta, é impossível falar em organização. Como um ser humano tão errante, tão transgressor, tão desconectado e ao mesmo tempo tão conectado, pode conceber a organização como princípio fundamental de sua produtividade? Inconcebível. Ainda bem que meus olhos contemplam a triste realidade bem abertos. E como toda a cachaça, o indivíduo beberica, absorve, se embriaga e perde-se em um torpor infindo para depois voltar-se para si e perceber que tudo continua a mesma coisa. A fuga foi totalmente inválida, mas por algum momento ela realmente pareceu ser a melhor saída. Este deveria ser o Slogan desta Era, desta sociedade e de nossas vidas. Duas faíscas surgiram em minha mente ao refletir neste instante: primeiro, os conceitos apresentados pelo sociólogo Zygmunt Bauman http://blogdogutemberg.blogspot.com/2008/10/vivemos-numa-sociedade-lquida.html em sua Modernidade Líquida, acerca da Pós-Modernidade e que muito contemplam o estudo desta sociedade, ainda na faculdade, quando falávamos da identidade dos indivíduos na era em que vivemos, e tentávamos compreender, acima de tudo, quem somos, pois afinal, ninguém se dissocia do fenômeno estando plenamente integrado ao sistema. E segundo, na a maneira como percebo estes tantos indivíduos, amigos, não amigos, parentes, conhecidos que transitam em um mundo virtual que se trata de um espelho que reflete prazeres e satisfações momentâneas, na liquidez que faz dessas identidades por sua vez,  um espelho d´agua, ou de cachaça, onde eles instantaneamente modificam-se, assumem diferentes faces, tornando-se outros a medida que a necessidade convém. Que coisa mais louca, mas está e a nossa vida minha gentchy! E vamos nessa que agora só falta eu fazer o unpload e compartilhar o texto no facebook.

Wednesday, January 05, 2011


Em frente ao computador, com a temperatura metálica do ar condicionando no ambiente, letras se misturam com o brilho da tela e convergem para a íris em impulsos repentinos. Imagens se formam diante dos olhos e desaparecem em instantes assim como o entreabir das pálpebras. Parece que estou dormindo dentro de uma concha de metal a prova de sons. Talvez esta sensação seja resultado da noite anterior. Um sentimento obscuro tomando conta dos orificios da pele, adentrando a corrente sanguínea e sendo trasportado ligeiramente aos neurotransmissores desordenando tudo como a chuva que invade uma casa em dia de temporal. Raios se projetam na memória, flashes que a imaginação se permite expor, para testar se é de fato capaz de projetar imagens no pensamento. Estou sentado em um divã de sonhos, com a porta entreaberta, resgatando fragmentos do dia anterior. Sentimentos se recriam em um passe de mágica, estou prestes a mergulhar no abismo do insconciente. Aqui, paredes brancas e imaculadas estão nuas, esperam para ser pintadas. Um jorro de tinta colorida mancha a superficie, um raio de luz que a incide cria um caleidoscópio tridimensional. Nele, estão contidas todas as angustias, as tristezas, os medos e desilusões que o dia a dia pediu para guardar em uma caixa. E ali, se misturam, a medida que suas faces se movimentam, diluindo tudo em uma coisa só. Os membros do corpo estão amortecidos, uma droga chamada rotina estipulou que os ponteiros do relógio devem girar em sentido horário e não há pausa para o descanso.

TO BE CONTINUED...

Tuesday, December 28, 2010


Love is all and about a tragic desire


Someone was walking on the streets, perhaps was going to somewhere, to find something, to find yourself. Love is it, is a state of luck, while you are searching it. Some people that I know have been suffering because the love of someone else. A very close friend told me yesterday that he was quite nervous and depressed because he and his girlfriend had breakup. If you never pass though a situation like this someday you´ll feel the same thing; While this not happen, you can help me to understand why love is such a challenge, a terrible and a tragic desire that begins when we fall in love. And trying to find a good reason to believe in love is how I start my history:

Since the day I break up with my ex boyfriend I throught that I never be in love again, and also I was planning about live my hole life alone dedicating the days of my existence only to myself. Fortunately, I was really wrong. Later I discovered that this is a selfish point of view because we need of other people and relationships was the perfect combination to do that. Love is the way to self knowledge...

Wednesday, December 01, 2010


Entre as paredes pintadas de cor pastel, e as nuvens assumindo formas de névoa branca em tons amarelados, dando sinais de que o sol estava presente, era uma tarde, quem sabe correndo para seu final princípio de noite onde cores alaranjadas tomaram conta do céu. Então existiam alguns fetos com suas cabeças enormes e corpos esmilhinguidos a espera de carinho e atenção. Cuidado, ao tocar, ao encostar na sua cabeça pois mais parece uma superfície frágil e que a qualquer momento pode se quebrar. Uma superfície quente pulsando vida que de repente escorrega por entre os dedos das mãos de quem o carrega e cai no chão. Algo estranho acontece, como se o feto estivesse fora de um útero mas ainda não estivesse preparado para isso, então seu crânio se parte em dois como a metade de uma laranja. Para quem deixou ele cair, descuidado, em um piscar de olhos sente como se uma bala tivesse acertado em cheio seu coração, sente pesar, culpa, tenta consertar o erro e felizmente como se fosse possível o crânio se junta novamente em uma parte. Algum tempo depois, só é possível ver a cicatriz, que o feto agora bebe leva em sua cabeça.

Algumas coisas na vida podem ser contornáveis, outras mudam para sempre. Tomemos por exemplo o sentimento de confiança em si, nos outros e na vida. Tem dias que sentimos que os pés fogem do alcance da superfície e podem tocar aquelas nuvens alaranjadas com cores pastel que sugerem um entardecer dos contos de fada, porém, instantâneamente o roteiro pode se modificar e o que parecia rosa se tornar escuro em um piscar de olhos.

Penso que seja dessa forma que funcione a máquina do pensamento humano criando conceitos como confiar, respeitar, entender. Temos duas formas de ver o mundo, a ótica limpa e a ótica suja. Na primeira, você enxerga tudo muito claro, com toda a amplitude que a palavra possui, claro, limpo, confortável, transparente, verdadeiro. Na segunda você enxerga a realidade sob uma perspectiva turva, que a todo momento levanta possibilidades amedrontadores e diferentes perspectivas, muitas delas sombrias, outras não.

Se pensássemos como um computador em que os códigos binários funcionassem como uma orquestra do raciocínio não seria necessário possuir um sistema nervoso que age concomitante e frenéticamente sem que nem mesmo entendamos como nem porque. Ao tomar este fragmento de divagação, idealizando um feto perfeito, onde porém, curiosamente só o que se pode ver dele é mesmo sua cabeça que se distingue do resto do corpo e torna pequenos o resto dos membros, entendemos que talvez tudo que pensamos que possa se quebrar deixando cicatrizes é a nossa integridade e a forma com que vivemos e analisamos o mundo a partir de nossos atos.

A medida que pensamos e agimos, que criamos e construímos verdades, destruímos tantas outras. Assim a vida é um exercício de reconstrução e ao mesmo tempo de demolição. De forma que reconstruir implica necessariamente demolir. Desmanchar algo já feito para então erguer novos alicerces. È assim que funciona. Talvez o sentimento de culpa, de dor, de desconforto vivido pelas mãos que deixaram o feto escapar por entre os dedos, sejam como um presságio, uma forma de entender como podemos perdemos facilmente de nós mesmos, e modificamos a nossa própria rota de vida através de descuidos, que inevitavelmente deixarão cicatrizes, mas que felizmente podem ser reconstruídos.

Agora entendo porque muitas pessoas pensam o amor como uma tarefa de auto-destruição, no bom e no mal sentido. Pois estar em contato com outra pessoa, energia e sentimentos faz com que pensemos a existência de uma forma distinta. Pois parte-se da premissa de que agora existem duas almas a dialogar, diferente de antes em que existia uma alma em um monólogo eterno no ir e vir de suas infinitas personalidades.

È preciso renascer para transcender as fronteiras do auto-conhecimento, dosando cada fragmento para não levar ao extremo de entender que o mundo que construímos novamente é aquele que gira em torno de si mesmo, evitando cair no mal sentido, que leva o indíviduo a total anulação e a destruição literal, ao invés da descontrução.

Tuesday, November 16, 2010

The spotlight drawned in my face.

Sometimes, We feel a kind o extasy in every single moment of life.
Others everything seems complain to a disaster.

Tuesday, November 02, 2010


Enquanto você não vê...

“Uma das mudanças básicas nos últimos duzentos anos é a crescente compreensão de que a verdade é construída mais do que descoberta.” (Ernesto Laclau)

Compreender o universo aparentemente pode ser uma tarefa um tanto fácil, a maioria das pessoas pensam que o compreendem. Porém, a compreensão vai além de simplesmente entender um significado. O fato é que não pensamos em compreender há muito tempo. Nossas vidas a cada dia tornam-se mais aceleradas em busca de um fruto perfeito que convencionalmente chamamos de realizações, que por sua vez, não passam de enfadonhos artíficios criados por nós mesmos para distrair nossa existência. A compreensão então, não é palavra de primeira ordem, principalmente no que diz respeito ao nosso aspecto existencial. Nascemos sem nos compreendermos, e é esta busca penosa, e muitas vezes exaustiva, a sobrevivência, que muitas vezes se apresenta em forma de interrogação. Enquanto muita gente não vê, as pequenas singularidades do cotidiano vão desaparecendo a medida em que embrutecemos nosso espírito. Vivemos em uma era paradoxal. Ao tempo que as relações tornam-se passageiras, que nos consideramos fluidos, e desterritorializados, nômades com passaportes carimbados para dialogar entre os espaços e transitar pelas diferentes culturas presentes na sociabilidade, nos tornamos carentes. As necessidades que o mercado introjeta em nós, são uma fonte inesgotável de descontentamento e o capital o motivo pelo qual nossa satisfação ganha sentido. Somos transeuntes de uma passarela transversal, que dita a moda urbana. Esta por sua vez, muitas vezes caricata, despersonaliza os indívíduos de forma que não reconheçam mais seu papel no mundo, e é este o motivo pelo qual a compreensão não possui sentido. O último século se consagrou por solidificar no mundo uma cultura global e trocas e bens de consumo que embutem nossas mais densas fantasias, enquanto preenchemos nossas prateleiras, armários, baús, cômodas, estantes, malas, bolsas e carteiras de quinquilharias, nos despimos de sensações internas. Trasnferimos nossas energias para um mundo exterior, que não nos envia energia alguma, ou seja, dispensamos nossa força, e nosso pensamento em vão. A carência e insustentável sensação de impotência e esgotamento aumenta, pois afinal somos sensíveis, e como uma droga sintética agindo no organismo, oscilamos entre a euforia e o desolamento. Primeiro, a sensação efêmera de conquista se joga em nossa frente derrubando qualquer sentimento ruim, após o efeito passado e a droga se diluído no sangue e se dispersado através das moléculas, a sensação de perda de referencial e de insuficiência voltam a bater na porta. Em um tempo onde as igrejas se proliferam notavelmente na sociedade, reunindo centenas e milhares de pessoas que pensam evocar um deus digno, quando pelo contrário, estão investindo seus últimos centavos em um circo romano onde se paga muito caro pelo ingresso, as pessoas continuam, e se permitem, ser a cada dia, mais e mais carentes. Seria este sentimento uma divida eterna com o mundo com o qual nunca tentamos nos reconciliar. Que ao tentar afugentar nossos mais reconditos medos, vestimos a fantasia prata e aderimos a voz metálica da mecanizando nossas ações, e condicionando nosso pensamento a alcançar metas, que ilusóriamente nos trarão felicidade. Ao analisar sob este prisma, um tema que palpíta em muitas almas e fala para poucos ouvidos, percebemos que viver sim é uma tarefa fácil. Difícl é existir. A existência implica conhecermos para depois reconhecermos, enquanto todos andam enfileirados, está atitude torna-se um tanto difícil, pois afinal, porque optar pela contramão se as regras nos dizem para seguir o fluxo.

Sunday, October 17, 2010


Can we pretend that airplaines in the night sky are like shooting stars, I can use a wish right now.

" Podemos dizer que são reais os pensamentos e sentimentos de alguém, mas sempre sob reserva de garantias personalistas, já que não são tangíveis, objetivamente comprováveis."

"O ser das coisas está na percepção subjetiva e que portanto, REAL é o que emerge na consciência."

Muitas vezes já nos perguntamos se o que estamos vivendo é uma realidade, ou apenas uma perspectiva fabricada por nós mesmos. Ao constatar que a consciência não é algo que está presente como parte biológica do nosso ser, e sim como uma instância flutuante em nossa personalidade, que pode assumir diferentes formas a medida que percebemos as coisas, constatar que de certa forma o que criamos pode ser fruto de nossa imaginação sobre as coisas que realmente nos parecem concretas causa um certo receio. Estes dias procurei algumas palavras para explicar o conceito de coexistência. Quando dois corpos coexistem em um espaço, sem necessariamente misturarem-se a ponto de serem um. Muitas pessoas projetam nas relações afetivas um simbolismo de unicidade pelo fato de estarem em constante troca de idéias, sentimentos e ações, porém, é justamente através dos caracteres distintos que se estendem as definições do termo coexistir. Nunca duas pessoas poderão ocupar o mesmo espaço de matéria a menos que submerjam uma na outra. Esta submersão metafórica requer um certo esforço para compreender como nos entregamos aos laços estabelecidos por nós mesmos, estando vulneráveis de alguma forma a instigar o lado mais oculto das nossas carências. É por isso que de certa forma coexistir implica em aprendizado e auto-conhecimento, o que na maioria das vezes não se apresenta como uma tarefa fácil. A frase "criamos nossas realidades" se aplica a força que temos através do livre arbítrio de viver o que escolhemos viver, mesmo que esta escolha não tenha sido pensada, e sim uma consequência dos impulsos nervosos do nosso inconsciente. Dessa forma, para entender a realidade em que se vive no momento presente, é necessário recapitular como ela se fundou, se sob um estímulo externo, sob um desejo ou sentimento de mudança, sob uma necessidade ou carência e ainda sob uma tentativa furtiva de fuga de outra realidade. Muitas pessoas que coexistem preferem obliterar a sua própria existência para viver a outra, pois justamente estão tentando fugir de alguma coisa. Todos estamos tentando acertar mais do que errar, experimentando caminhos diversos. Racionalizando o irracionalizável, testando o intestável, corrigindo o incorrigível, adentrando um território intangível, o afetivo. O representacional, o desconhecido. O que nos agrada aos olhos, e nos acaricia a alma e ao mesmo tempo causa um certo desconforto por penetrar tão profundamente nas esferas que talvez, individualmente não tenhamos conseguido alcançar.

Estou vivendo em um momento em que as palavras podem fugir por alguns instantes, mesmo assim estou tentando converter minhas sensações em manifestações pouco esclarecedoras. Por enquanto ainda não inventaram um aparelho de diagnóstico da alma, e mesmo que inventassem duvido muito que acreditaríamos nas prescrições que nos fossem dadas, aliás, acredito que todos estamos sujeitos a sofrer por nossas próprias escolhas, mesmo que não tenhamos o nosso próprio consentimento para tomá-las. Quando se vive demais, se aceita também, os contras que esta intensidade carrega. A destemperança na dosagem de tudo, é o que talvez motive a busca pelo equilíbrio, mesmo que este seja uma utópica projeção do que jamais poderá ser alcançado, a perfeição.

Há chamas dentro de uma cápsula real chamada vida, ela queima a cada dia em que viramos as costas para o passado e enfrentamos o futuro, que talvez, não exista e seja apenas uma convenção do tempo para nos manter na estrada. Vulnerabilidade, esta é a palavra que define a sensação presente.

Sunday, September 26, 2010


Noite clara céu aberto dias em que nos permitimos mais.
Uma energia muito boa começa a renovar todos os ambientes em que se possa estar. É interessante como tudo se renova a cada instante mudando o cenário que a pouco parecia estranhamente vazio. Um momento especialmente intenso e real se transformando em algo muito bom que penetra em todos os cômodos do nosso eu. A vida é mesmo surpreendente.
Imagine uma praia com areia fina e as ondas caindo sob o sol, dia perfeito para se imaginar os melhores sonhos sentir os toda luminosidade esquentando a pele. Movimento, pessoas indo e vindo, carros criando um engarrafamento gigante no asfalto. Talvez vislumbrar que mais um final de um ano agitado se aproxima, e projetar antecipadamente dias melhores, dias de paz, dias a mais, dias que não deixaremos para trás.

Sunday, September 05, 2010


We are always looking for something.



O fato de estarmos sempre procurando por algo faz com que muitas vezes nos sintamos desconfortáveis com a própria existência. Tudo parece acertado quando de repente algo se quebra e se divide em pedaços cristalizando no chão a imagem do adeus. Adeus ao momento anterior, ao concreto que se fragmenta instantâneamente. Realmente, é muito fácil tudo mudar em uma questão impressionantemente curta de segundos. Veja seus pais, seus amigos, sua cidade natal ganhando uma roupagem nova a cada estação, rugas, ruas fechadas, olhos mais fundos do que outrora, sinaleiras, placas de sinalização, cicatrizes... Há algo que insiste em permanecer nos rondando. Esta insatisfação com o mundo, com os outros, com a natureza que por vezes se parece tão perfeita e atordoante. O imenso verde bem a frente dos olhos corrompendo a escuridão, enquanto o vento carrega nuvens leves para o norte. Há uma sensação elétrica em todos nós, de possuir super poderes para conseguir lidar com a própria energia. Qualificar a força seria qualificar a forma como esta energia se manifesta, por vezes intensa demais, capaz de elevar tudo a um estado de choque, e ao mesmo tempo tão fraca que não suporta a carga que leva sem si.

A vida desmedida. As pessoas deveriam ter um termomêtro para medir a amplitude de seu temperamento. Como isso ainda não foi inventado, elas apostam em um tabuleiro todas as fichas possíveis.

Thursday, July 29, 2010


I´m brilhant, I´m a Journalist!

Parece que foi ontem que tudo começou, subindo as escadas da faculdade com as pernas tremendo, mãos suando e coração pulsando acelerado. Abrindo um livro de infinitas páginas onde muito mais que palavras, rostos estamparam as folhas de uma história única, a minha história. A faculdade para quem se apaixona por ela, é o melhor casamento. Pois mesmo que você queira pedir o divórcio, ela te convence em instantes a não o fazê-lo. Quando descobrimos uma vocação, seja ela qual for, é como sair de um casulo que abrigava uma larva e voar como uma borboleta, isso parece clichê mas é o melhor exemplo que me vêm a mente para retratar esta relação. Eu não escolhi brincar com as letras, elas que me escolheram para interpretá-las como cartas mágicas de um baralho. O sabor da vitória é um degrau a mais da escada de acontecimentos narrada pelo livro da minha vida. Queria poder contar todos os dias, mas creio que muitos deles não vou me recordar, mas para aqueles que a memória guardou um lugar especial concedo a eternidade. O dia em que entrei na faculdade, o dia de choro ou de briga, um dia de aula entediante, um dia de graça e de riso, um dia ensolarado, outro cinzento, um dia dentro do laboratório de video, outro no de rádio, e vários, muitos dias na agência de jornalismo, que saudade. A estação mudou e permanecemos ali, até outra chegar de surpresa novamente. Como se os dias estivessem tão perto de suas páginas anteriores, posso voltar aos cenários ouvir suas vozes, sentir seus aromas, admirar seu contexto. O intervalo, o burburinho, o corredor durante o turno da noite cheio de alunos, o banco da fac, os cafés, os cigarros, os AMIGOS, os colegas, os professores. Tantas personalidades. Onde estarão contracenando? Em que palco estrelarão? Gostaria de assistir a peça de todos, mas com certeza essa não seria mais tão saborosa quanto a apresentação da minha lembrança. Uma página se fecha para outra ser aberta. ( clichê de novo) será que pessoas felizes ficam clichês? No meu caso a felicidade em dose moderada não me inspira muito não. Mesmo assim, mesmo ainda jogando com as palavras encerro meu desabafo, há algumas horas antes de receber o tão aclamado "canudo"! Adios muchachos, arriba e adelante!

Tuesday, July 27, 2010


Não interessa se as pessoas morrem a cada instante, se há crianças passando fome, se guerras silenciosas se travam entre as nações, se o mundo está a caminho do fim. A razão e a consciência se ausentaram por alguns dias e tudo que se pode sentir é uma quantidade imensa de nervos brigando entre si dentro do corpo. Extremidades que se chocam lentamente provocando pequenas explosões, percorrem toda a anatomia, a traquéia é sufocada por uma sensação de pavor. É inverno mas não faz frio, queimando está o corpo em frente a lareira acesa. A lenha se ajeita meticulosamente dentro da caixa quadrada, faiscas dançam envolvidas por uma brasa quente. Aquela cor alaranjada se projeta nos olhos cansados, foi um longo dia. Uma caixa encontra-se fechada, a um palmo de alcançá-la, as mãos correm em direção a sua superfície, levantando a tampa lentamente o fundo dá lugar a um buraco profundo e sem fim...

Saudade. Depois de procurado o sinônimo não apareceu, permaneceu ausente como o sentido que pertence, insistiu em dar as caras. Mas alguém ainda tentou denominar e para a surpresa eis então:

Do lat. solidate,soledade, solidão. atr. do arc. soydade, suydade com influência de saúde. sf.(a) 1. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhado do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia.2. Pesar da ausência de alguém que nos é querido. 3. Desiguinação comum a diversa plantas da família das dipsacáceas, principalmente da espécie Scabiosa marítima, e ás suas flores; escabiosa. 4. Planta da família das asclepiadáceas (Asclépias umbellata). 5. Bras. assobiador. 6. Bras.Cantiga da terra, entoada pelos marujos no alto mar.7. No Brasil, transforma-se o hiato desta palavra em ditongo: "sau-dade".

Quem está feliz não sente saudade. Quem é satisfeito não procura no armário trancado um objeto perdido. E se este disse que o achou, está mentindo porque quem sente saudade dificilmente a mata de uma vez só. A saudade é um serial killer. Ela vai consumindo suas vítimas aos poucos, ela se aproxima como quem não quer nada durante a noite ou ate mesmo sob a luz do dia, e instantaneamente consome-a. Quem sente saudade é saudoso de sentimentos, saudoso de sentido, de razão de ser ou de simplesmente estar. Quem lê sente saudade, quem não sabe contar também. As vezes sinto saudade de mim, de ser quem eu não fui, de estar onde não estive, de falar o que não disse ou desdizer o que deixei escapar. Mover-se com o mundo é uma constante impiedosa, é por isso que a saudade é vista como o pólo negativo do amor. Pessoas andam apressadas, não sei se estão gélidas, se não tem mais de onde tirar suas emoções, que já consumidas jazem em um terreno distante. Ou mesmo com tantos objetos de desejo, torna-se quase que impossível sentir saudade.

Veja bem, sinto saudade do mar. Do vento. Da terra. Eles continuam existindo um tanto próximos, a saudade é uma situação que gostaríamos de reviver para comprovar que podemos dominar o tempo. Utopia.

Eu não entendo porque preferi este lado da vida, o lado que deixa os pés longe do chão, é muito difícil constatar que daqui nada sei, é como se a atmosfera que me envolve não me pertencesse verdadeiramente. Procuro esconderijos para guardar meus pensamentos, ou simplesmente não os concebo. Não vejo televisão, escuto rádio para tocar a música, navego na internet para conversar, e o resto o que vai e o que fica, no fim das contas, é o que eu não sinto saudade, é a rotina, que acaba sendo sempre o tudo da mesma coisa.


As vezes parece tão simples fazer parte de tudo isso, e as ferramentas são tantas para o fazer. Mas de repente, é como se a cortina caísse sobre os ombros, e tudo se torna-se transparente. O lado de dentro é tão imenso e desconhecido, um tanto amedrontador.

Monday, July 26, 2010


O melhor esconderijo, a maior escuridão, já não servem de abrigo, já não dão proteção.

As vozes falam, ecoam sob os ouvidos fazem piruetas e giram aleatóriamente. Elas falam muito, são incessantes, reverberam palavras infinitas enquanto a língua vai consentindo. Diante do quadro, da pista, do vaivém, alegria intensa se perpetua sobre cada molécula de ser, sinto o estar, o presente, o sol se pondo ao fundo emoldurado pela janela do carro. A trilha sonora é um grito de liberdade, um som envolvente que nos acompanha até a chegada da noite.

A noite deixa os pés adormecidos. Aparece envolta a uma fumaça, luzes coloridas e vultos de pessoas passando na rua. Ela esta coberta de cinza, turva na escuridão, por hora se pinta de prateado para confundir-me. Estranhamente ligeira, ela passa, corre com as horas que trazem um dia vigoroso, mas nem tanto para quem teve suas energias consumidas pelo espetáculo noturno da insomnia. A dança que leva as mulheres a saírem sorrateiramente de suas camas durante a noite e aconchegarem-se em meio a mata deserta ouvindo o barulho das árvores batendo umas nas outras.

Sépia é a cor do telhado, tijolos que sempre deram cobertura para os melhores sonhos e também para os grandes pesadelos. Ficam encaixados uns nos outros, em formato de telha, vivem entrecortados entre si escorrendo a água da chuva límpida e gelada. Gotas que gelam os pensamentos, remontam medos soturnos, obscuridade, má intenção. Quembram-se, estilhaçam-se, caem no chão, despemcam sobre a terra atingidas pelo forte temporal. Arrasam.

Teatro diário. Você está caminhando na rua, veste seu jeans predileto, um tênis bacana que te faz sentir-se confortávelmente bem, carrega em sua carteira algumas notas para gastar no que bem entender, passeia, vê cores, saboreia um sorvete cremoso, doce e fugaz tanto quanto sua sensação de prazer. Finge não encarar as pessoas mas as observa como quem tenta decifrá-las, e de repente se depara consigo mesmo. É um reflexo do espelho da fachada da loja da esquina, que ilumina o cantinho da sua perna, faz você voltar os olhos para baixo, e percorrer o seu corpo através do espelho até o momento que encontra-se encarando a si. Para. O instante se congela, um filme pouco habitual volta a rodar na sua cabeça, frases frases, palavras, pessoas, vultos, telhas, chuva, noite, cores, medos, sonhos escuridão, sol brilhante alegria intensa, vigor... Então você percebe que precisa recuperar o seu, se pergunta quem está ali atrás da imagem refletida no espelho, questão que não passa de mera observação pois você jamais poderá responder. Começa a tentar procurar as respostas nos outros, reata as amizades, telefona para os velhos amigos, marca uma saída para conversar.

E volta novamente às palavras, recorre a elas para tecer um diálogo que quer somente conhecer a estrada que o levará ao fim. Fim do drama, fim da trama, fim do desdém. Fim da rima, fim do túnel. fim do começo.


My end is my beggining.


"En ma Fin gît mon Commencement..."
"In my End is my Beginning..."

This is the saying which Mary embroidered on her cloth of estate whilst in prison in England and is the theme running through her life. It symbolises the eternity of life after death and Mary probably drew her inspiration from the emblem adopted by her grandfather-in-law, François I of France: the salamander. The Salamander self-ignites at the end of its life, and then rises up from the ashes re-born...

Monday, July 05, 2010


As palavras apenas acontecem, como os fatos, como os acasos que não esperamos e como a esperança que de repente toma folêgo de um pobre desacreditado dianta da desgraça urbana. Eu vivo inteiramente mergulhada em mim, um dia desses gostaria de sair nadar além dos meus próprios oceanos, conhecer os corais vizinhos é algo estranhamente tentador, porém não os possuo que diferença fará. O domínio é como uma máquina escavadeira que vai desmoronando montes e montes de terra sem parar, ele se alastra rapidamente como a chama do fogo em noites de vento. E de repente se dissipa por entre a atmosfera formando uma camada marrom, epoeirada que encobre a beleza do verde macio que brota no chão. Eu sinto que não preciso formular perguntas as quais premedito as respostas, adivinho o jogo instantâneo de não fazer comparecer as palavras no alfabeto das emoções. Afinal, elas também se dissipam, se somam a poeira, ao vento, somem por entre os veios da terra e desaparecem sem que se perceba para onde foram. Eu queria ter o domínio além das palavras, queria fazer com que elas ecoassem mais do que meros significados, e sim que elas inundassem as pessoas de sensações, como um gole etílico que desce queimando na garganta. Eu gosto de bossa, também gosto de contradição. Esta estação é propícia para contradizer-me das loucuras antes consideradas insanas e me deparar com a mais pura razão. Não há o que temer quando não se tem medo, e não há medo se não haver o que temer, eu temo por não ter o domínio nem das palavras, nem de mim, muito menos dos sentimentos que elas podem evocar assim, tão indelevelmente. Se um dia eu pudesse me dissociar de mim, eu me separaria dos meus eus para ficar um pouco sozinha. Depois reataria com elas para sair a noite e brincar em algum lugar debaixo das estrelas. Eu gosto de fazer coisas proibidas, elas me incitam a ir além do que o pudor pode considerar um limite territorial. Não tendo fronteiras, somos como correntezas em mar aberto, fluindo desassossegadamente. Um clipe instantâneo de um extraordinariamente fantástico, com todo o charme que envolve um filme, quase real, que logo ultrapassa a linha dos 3 minutos e meio e torna a rodar as imagens do cotidiano. Quando as pessoas sentem prazer é mais ou menos assim. Elas fluem sumindo de si, desapegando-se do próprio corpo, sumindo em um suspiro grave ou suave, que oscila sem parar até o momento que se cala. Quando isso acontece, tudo volta ao normal, os pensamentos não estão mais tão longe... Literalmente seu corpo volta ao estado normal, e é tomado por uma vergonha de ter ido tão longe, ter nadado nos corais do vizinho. Que bobabem, deveriamos ser a favor do trânsito entre estes oceanos sem nenhum pedágio. Mas humanos, são humanos, justamente porque possuem carências, porque são uma carne mole e sem muita dureza, maleáveis de acordo com as circunstâncias e versáteis como as estações.
Just stop to think about it...thoughts

Life is such a challenge
Live it day by day
You never know what's gonna happen
A what might come your way
Just stop and think about it
There is nothing we can do
They can't live without us and
We can't live without them too

Sunday, June 27, 2010


Não sei escrever quanto estou alegre. Parecem que as palavras não fluem como das outras vezes, quando me sinto levemente melancólica. Seria um momento ideal para escrever uma carta, um poema, uma canção, ou apenas uma frase. Recolheria algumas palavras espalhadas por aí, tentaria juntá-las e de repente sairia algo como: Não tenho nada a declarar. É isso mesmo,dificilmente me sinto satisfeita com as coisas, pois geralmente elas não preenchem a necessidade do "quero mais", porém acredito que até seja bom, registrar um momento em que me encontro estranhamente em paz. Agora percebo que minha paz ocorre a curtos prazos, porque vivo girando em tantas órbitas, que o sossego passa longe de mim. Quando é quente, me sinto extasiada mas ao mesmo tempo sinto saudade do frio, quando as temperaturas caem, é interessante, se cobrir do frio, assistir a um filme ou mesmo fumar um cigarro sob a bruma da noite gelada, mas dessa forma me sinto despida de cores, então prefiro o verão. Quando ambas estações não me satisfazem vislumbro a primavera, suas flores e clima sutil....